Prova: os passos necessários para provar que foi cometida uma
falácia
Nota: Por favor fique ciente que este guia está em construção e,
portanto, não deve ser tomado como completo de modo algum.
Lista de Falácias
Falácias de Dispersão
- Falso Dilema: são dadas duas alternativas quando
de fato há três ou mais
- Apelo à Ignorância: conclui-se que uma proposição
é falsa (ou verdadeira) porque não se sabe se é verdadeira (ou falsa)
- Declive Escorregadio: conseqüências cada vez mais
inaceitáveis são derivadas em série
- Pergunta Complexa: duas proposições são ligadas
no que aparenta ser uma só pergunta.
Apelo a Motivos em Vez de Razões
- Apelo à Força: o ouvinte é persuadido a concordar
pela força
- Apelo à Piedade: apela-se à compaixão ou simpatia
do ouvinte
- Conseqüências: o ouvinte é prevenido contra
conseqüências inaceitáveis
- Linguagem Preconceituosa: associam-se valores morais
positivos à causa defendida pelo autor
- Apelo ao Povo: defende-se que uma proposição é
verdadeira porque segundo a maioria da população ela é verdadeira
Fugir do Assunto
- Ataques Pessoais:
- (1) ataque ao caráter da pessoa
- (2) referem-se circunstâncias relativas à pessoa
- (3) invoca-se o fato da pessoa não praticar o que diz
- Apelo à Autoridade:
- (1) a autoridade não é um perito no campo em questão
- (2) não há acordo entre os peritos do campo em questão
- (3) a autoridade não pode, por algum motivo ser levada a sério
- porque estava brincando, estava bêbada, etc.
- Autoridade Anônima: a autoridade em questão não
é declarada
- Estilo Sem Substância: sente-se que o modo como
o argumento (ou o argumentador) é apresentado afeta a verdade da conclusão
Falácias Indutivas
- Generalização Precipitada: a amostra é demasiado
pequena para apoiar uma generalização indutiva sobre o domínio em
questão
- Amostra Não Representativa: a amostra não é representativa
do domínio em questão
- Falsa Analogia: desprezam-se diferenças relevantes
entre os objetos ou acontecimentos comparados
- Indução Preguiçosa: nega-se, apesar dos indícios
favoráveis, a conclusão de um forte argumento indutivo
- Falácia de Omissão: não é considerada toda a
informação relevante que devia pesar na conclusão de um forte argumento
indutivo
Falácias Envolvendo Silogismos Estatísticos
- Acidente: uma generalização é feita quando
as circunstâncias sugerem que deve haver exceções
- Inversa do Acidente : generaliza-se o que apenas
devia ser tomado como exceção
Falácias Causais
- Post Hoc: pelo fato de algo acontecer após
outra coisa pensa-se que a coisa causa a algo em questão
- Efeito Conjunto: conclui-se que uma coisa é causa
de outra coisa quando, de fato, ambas as coisas são o efeito conjunto
de uma causa subjacente
- Insignificância: conclui-se que uam coisa é causa
de algo, mas apesar de também o ser, é insignificante quando comparada
com outras causas deste algo
- Direção Errada ou Contramão: a relação entre
causa e efeito é invertida
- Causa Complexa: a causa identificada é apenas
uma parte da totalidade da causa do efeito
Errando o Alvo
- Petição de Princípio: a verdade da conclusão
já estava presumida nas premissas
- Conclusão Irrelevante: um argumento apresentado
para defender uma conclusão prova, em vez disso, outra conclusão
- Espantalho: o autor ataca um argumento diferente
(e/ou mais fraco) do que o melhor argumento do opositor
Falácias da Ambiguidade
- Equívoco: o mesmo termo é usado em dois sentidos
diferentes
- Anfibologia: a estrutura de uma frase permite
duas interpretações diferentes
- Ênfase: a ênfase numa palavra sugere um sentido
diferente daquele que de fato é enunciado
Erros de Categorização
- Composição: como os atributos das partes de
um todo têm certa propriedade, argumenta-se que o todo tem esta propriedade
- Divisão: como o todo tem uma certa propriedade,
argumenta-se que as partes têm essa propriedade
Non Sequitur
Erros Silogísticos
Falácias da Explicação
Falácias de Definição
Proposição
Valor da Verdade
Tabela da Verdade
Operadores Lógicos
Referências
Direitos Autorais
Falácias
de Dispersão Lista
Cada uma destas falácias caracteriza-se pelo uso ilegítimo de um operador
lógico, uso que desvia a atenção do auditório da da falsidade de
uma certa proposição. Falácias de dispersão:
Falso Dilema
Lista
Definição:
É dado um limitado número de opções (na maioria dos casos apenas duas),
quando de fato há mais. O falso dilema é um uso ilegítimo do operador
"ou".
Pôr as questões ou opiniões em termos de "ou sim ou não" gera, com
frequência (mas nem sempre), esta falácia.
Exemplos:
(i) Estás por mim ou contra mim.
(ii) América: ama-a ou deixa-a.
(iii) Ou suportas Meech Lake ou o Quebec separa-se.
(iv) Uma pessoa ou é boa ou é má.
Prova:
Identifique as opções dadas e mostre (de preferência com um exemplo)
que há pelo menos uma opção adicional.
Referências:
Apelo à Ignorância
(argumentum ad ignorantiam) Lista
Definição:
Os argumentos desta classe concluem que algo é verdadeiro por não se
ter provado que é falso; ou conclui que algo é falso porque não se provou
que é verdadeiro. (Isto é um caso especial do falso dilema,
já que assume que todas as proposições têm de ser actualmente conhecidas
como sendo verdadeiras ou falsas). Mas, como Davis escreve, "A falta
de prova não é uma prova." (p. 59)
Exemplos:
(i) Já que você não pode provar que fantasmas não existem, eles existem
sim.
(ii) Já que os cientistas não podem provar que acontecerá o aquecimento
global, ele provavelmente não ocorrerá.
(iii) Fred disse que era mais esperto do que Jill, mas não o provou.
Portanto, isso deve ser falso.
Prova:
Identifique a proposição em questão. Argumente que ela pode ser verdadeira
(ou falsa) mesmo que, por enquanto, não o saibamos.
Referências:
Copi e Cohen: 93, Davis: 59
Declive Escorregadio
(Derrapagem) Lista
Definição:
Para mostrar que uma proposição P é inaceitável,
extraiem-se conseqüências inaceitáveis de P e conseqüências das conseqüências...
O argumento é falacioso quando pelo menos um dos seus passos é falso
ou duvidoso. Mas a falsidade de uma ou mais premissas é ocultada pelos
vários passos "se-então" que constituem o todo do argumento.
Exemplos:
(i) Se aprovamos leis contra as armas automáticas, não demorará muito
até aprovarmos leis contra todas as armas, e então começaremos a restringir
todos os nossos direitos. Acabaremos por viver num estado totalitário.
Portanto não devemos banir as armas automáticas.
(ii) Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a jogar verás que é difícil
deixar o jogo. Em breve estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo
e, inclusivamente, pode acontecer que te vires para o crime para suportar
as tuas despesas e pagar as dívidas.
(iii) Se eu abrir uma excepção para ti, terei de abrir excepções para
todos.
Prova:
Identifique a proposição, P, que está a ser refutada e identifique o
evento final, Q, da série de eventos. Depois mostre que este evento
final, Q, não tem de ocorrer como conseqüência de P.
Referências:
Pergunta Complexa
Lista
Definição:
Dois tópicos sem relação, ou de relação duvidosa, são conjugados
e tratados como sendo uma única proposição. Pretende-se que o auditório
aceite ou rejeite ambas quando, de fato, uma pode ser aceitável e a
outra não. Trata-se de um uso abusivo do operador "e".
Exemplos:
(i) Deves apoiar a educação familiar e o Direito, dado por Deus, de
os pais educarem os filhos de acordo com as suas crenças.
(ii) Apoias a liberdade e o direito de andar armado?
(iii) Já deixaste de fazer vendas ilegais? (São duas questões: já
cometeste ilegalidades? Já te deixaste disso?)
Prova:
Identifique as duas proposições conectadas e mostre que acreditar numa
não implica acreditar na outra.
Referências:
Cedarblom e Paulsen: 86, Copi e Cohen: 96
Apelo a Motivos
Em Vez de Razões Lista
As falácias desta seção têm em comum o fato de apelarem a emoções
ou a outros fatores psicológicos. Não avançam razões para apoiar a conclusão.
As seguintes falácias são apelos a motivos:
Apelo à Força
(argumentum ad baculum) Lista
Definição:
O auditório é informado de que conseqüências desagradáveis se seguirão
à discordância com o autor.
Exemplos:
(i) É melhor admitires que a nova orientação da empresa é a melhor --
se pretendes manter o emprego.
(ii) A NAFTA é um erro! E se não votares contra a NAFTA então te votaremos
para fora do escritório.
Prova:
Identifique a ameaça e a proposição. Argumente que a ameaça não tem
relação com a verdade ou a falsidade da proposição.
Referências:
Cedarblom e Paulsen: 151, Copi e Cohen: 103
Apelo à Piedade
(argumentum ad misercordiam) Lista
Definição:
Pede-se a aprovação do auditório na base do estado lastimoso do Autor.
Exemplos:
(i) Como pode dizer que eu reprovo? Eu estava mais perto da positiva
e, além disso, estudei 16 horas por dia.
(ii) Esperamos que aceite as nossas recomendações. Passámos os últimos
três meses a trabalhar desalmadamente nesse relatório.
Prova:
Identifique a proposição e o apelo à autoridade e argumente que o estado
lastimoso do argumentador nada tem a ver com a verdade da proposição.
Referências:
Cedarblom e Paulsen: 151, Copi e Cohen: 103, Davis: 82
Apelo às
Conseqüências (argumentum ad consequentiam) Lista
Definição:
O argumentador, para “mostrar” que uma crença é falsa, aponta conseqüências
desagradáveis que advirão da sua defesa.
Exemplos:
(i) Não podes aceitar que a teoria da evolução é verdadeira, porque
se ela fosse verdadeira não éramos melhores que os macacos.
(ii) Deve acreditar em Deus, porque de outro modo a vida não teria sentido.
(Talvez. Mas também é possível dizer que, como a vida não tem sentido,
Deus não existe.)
Prova:
Identifique as conseqüências e argumente que a realidade não tem de
se adaptar aos nossos desejos.
Referências:
Cedarblom e Paulsen: 100, Davis: 63
Linguagem Preconceituosa
Lista
Definição:
Termos carregados e emotivos são usados para ligar valores morais à
crença na verdade da proposição.
Exemplos:
(i) Os portugueses bem intencionados estão de acordo em plebiscitar
a pena de morte.
(ii) Pessoas razoáveis concordarão com a nossa política fiscal.
(iii) O primeiro ministro pretende que as novas taxas de juro ajudarão
a diminuir o déficit. (O uso de "pretende" sugere que o primeiro ministro
está errado.)
(iv) Os burocratas do Parlamento resistem às leis de defesa do património.
(Compare com: "Os parlamentares rejeitaram a proposta de lei de defesa
do património.")
Prova:
Identifique os termos preconceituosos usados: (p. ex.:. "portugueses
bem intencionados" ou "Pessoas razoáveis"). Mostre que discordar da
conclusão não é suficiente para dizer que a pessoa é "mal intencionada"
ou "pouco razoável".
Referências:
Cedarblom e Paulsen: 153, Davis: 62
Apelo ao Povo
(argumentum ad populum) Lista
Definição:
Com esta falácia sustenta-se que uma proposição é verdadeira por ser
aceite como verdadeira por algum sector representativo da população.
Esta falácia é, por vezes, chamada "Apelo à emoção" porque os apelos
emocionais pretendem atingir, muitas vezes, a população como um todo.
Exemplos:
(i) Se você fosse bela poderia viver como nós, então compre também Buty-EZ
e torne-se bela. (Aqui apela-se às "pessoas bonitas")
(ii) As sondagens sugerem que os liberais vão ter a maioria no parlamento,
também deves votar neles.
(iii) Toda a gente sabe que a Terra é plana. Então porque insistes nas
tuas excêntricas teorias?
Referências:
Copi e Cohen: 103, Davis: 62
Fugir ao
Assunto Lista
As falácias desta seção fogem ao assunto, discutindo a pessoa que
avançou um argumento em vez de discutir razões para aceitar ou não aceitar
a conclusão. Em algumas ocasiões é aceitável citar autoridades, (por
exemplo, citar o médico para justificar ouso de um medicamento) quase
nunca é apropriado discutir a pessoa em vez dos seus argumentos.
As falácias discutidas nesta seção são:
Ataques Pessoais
(argumentum ad hominem) Lista
Definição:
Ataca-se a pessoa que apresentou um argumento e não o argumento que
foi apresentado. A falácia ad hominem assume muitas formas. Ataca,
por exemplo, o caráter, a nacionalidade, a raça ou a religião da pessoa.
Em outros casos, a falácia sugere que a pessoa, por ter algo a ganhar
com o argumento, é movida pelo interesse. A pessoa pode ainda ser atacada
por associação ou pelas suas companhias.
Há três formas maiores da falácia ad hominem:
(1) ad hominem (abusivo): em vez de atacar uma afirmação, o argumento
ataca a pessoa que a proferiu.
(2) ad hominem (circunstancial): em vez de atacar uma afirmação, o
autor aponta para as circunstâncias em que a pessoa que a fez e as
suas circunstâncias.
(3) ad hominem (tu quoque): esta forma de ataque à pessoa consiste
em fazer notar que a pessoa não pratica o que diz.
Exemplos:
(i) Podes dizer que Deus não existe mas estás apenas seguindo a moda.
(ad hominem abusivo)
(ii) É natural que o ministro digas que essa política fiscal é boa porque
ele não será atingido por ela. (ad hominem circunstancial)
(iii) Podemos passar por alto as afirmações de Simplício porque ele
é patrocinado pela indústria da madeira. (ad hominem circunstancial)
(iv) Dizes que eu não devo beber, mas não estás sóbrio faz mais de um
ano. (ad hominem tu quoque)
Prova:
Identifique o ataque e mostre que o caráter ou as circunstâncias da
pessoa nada têm a ver com a verdade ou falsidade da proposição
defendida.
Referências:
Barker: 166, Cedarblom e Paulsen: 155, Copi e Cohen: 97, Davis: 80
Apelo à Autoridade
(argumentum ad verecundiam) Lista
Definição:
Ainda que às vezes seja apropriado citar uma autoridade para suportar
uma opinião, a maioria das vezes não o é. O apelo à autoridade é especialmente
impróprio se:
(i) a pessoa não está qualificada para ter uma opinião de perito no
assunto.
(ii) não há acordo entre os peritos do campo em questão.
(iii) a autoridade não pode, por algum motivo, ser levada à sério
- porque estava a brincar, estava ébria ou por qualquer outro motivo.
Uma variante da falácia do apelo à autoridade é o "ouvi dizer" ou
"diz-se que". Um argumento por "ouvir dizer" é um argumento que depende
de fontes em segunda ou terceira mão.
Exemplos:
(i) O famoso psicólogo Dr. Frasier Crane recomenda-lhe que compre o
último modelo de carro da Skoda.
(ii) O economista John Kenneth Galbraith defende que uma apertada política
econômica é a melhor cura para a recessão. (Apesar de Galbraith
ser um perito, nem todos os economistas estão de acordo nesta questão.)
(iii) Encaminhamo-nos para uma guerra nuclear. A semana passada Ronald
Reagan disse que começaríamos a bombardear a Rússia em menos de cinco
minutos. (Claro que o disse por piada durante o teste do microfone)
(iv) Meu amigo ouviu no noticiário outro dia que o Canadá
declarará guerra à Sérvia. (Este é um caso
de boato; na verdade, o repórter disse que o Canadá não
declararia guerra.)
(v) Os cidadãos de Ottawa relataram que as vendas aumentaram
5,9 porcento este ano. (Este é um caso de boato; nós não
estamos em posição de conferir as fontes de informações
dos cidadãos.)
Prova:
Mostre uma de duas coisas (ou ambas): (i) a pessoa citada não é uma
autoridade no campo em questão; (ii) mesmo entre os especialistas não
há consenso sobre o assunto discutido.
Referências:
Cedarblom e Paulsen: 155, Copi e Cohen: 95, Davis: 69
Autoridade
Anônima Lista
Definição:
A autoridade em questão não é nomeada. Isto é uma forma de apelo à autoridade
porque quando a autoridade não é nomeada é impossível confirmar se se
trata de um perito. Esta falácia é tão comum que merece uma menção especial.
Uma variante desta falácia é o apelo ao rumor. Como a fonte do rumor
é, em regra, desconhecida, não é possível verificar se o rumor merece
crédito. Rumores falsos e caluniosos são lançados muitas vezes intencionalmente
com o objetivo de desacreditar o oponente.
Exemplos:
(i) Um membro do governo disse hoje que uma nova lei sobre posse e uso
de armas será proposta amanhã.
(ii) Os peritos dizem que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear
é estar preparado para ela.
(iii) Sabe-se que milhares de operações desnecessárias são realizadas
todos os anos.
(iv) Diz-se por aí que o Primeiro Ministro vai decretar outro feriado
antes das eleições.
Prova:
Argumente que pelo fato de não conhecermos a fonte e a base da informação,
não temos maneira de avaliar a confiabilidade da informação.
Referências:
Estilo Sem
Substância Lista
Definição:
Um argumento (ou argumentador) é apresentado de modo a influenciar
a conclusão como sendo verdadeira.
Exemplos:
(i) Nixon perdeu o debate presidencial porque tinha suor na testa.
(ii) Trudeau sabe como dirigir as massas. Ele deve estar certo.
(iii) Porque não aceitas o conselho daquele jovem elegante e bem vestido?
Prova:
É um fato que o modo como o argumento é apresentado influencia a crença
das pessoas na verdade da conclusão. Mas a verdade da conclusão não
depende do modo como o argumento é apresentado. Para mostrar que esta
falácia está a ser cometida, mostre que, neste caso, o estilo não afeta
a verdade ou a falsidade da conclusão.
Referências:
Falácias
Indutivas Lista
O raciocínio indutivo consiste em inferir das propriedades de uma
amostra para as propriedades de um elemento não pertencente à amostra,
ou para as propriedades da população como um todo.
Suponha, por exemplo, que temos uma lata com 1.000 feijões. Alguns
são pretos e outros são brancos. Suponha agora que retiramos da lata
uma amostra de 100 feijões e que 50 eram brancos e outros 50 eram pretos.
Então podemos inferir indutivamente que metade dos feijões da lata (500
feijões) são pretos e que a outra metade é branca.
Todo o raciocínio indutivo depende da similitude entre a amostra e
a população. Quanto maior for a semelhança entre a amostra e a população
como um todo, maior fiabilidade terá a inferência indutiva. Por outro
lado, se a amostra tiver diferenças relevantes face à população, então
a inferência indutiva não será fiável.
Nenhuma inferência indutiva é perfeita. Isto significa que qualquer
inferência indutiva pode vir a falhar. Mesmo que as premissas sejam
verdadeiras, a conclusão pode ser falsa. Apesar disso, uma boa inferência
indutiva dá-nos uma razão para crermos que a conclusão é verdadeira.
As seguintes falácias indutivas são descritas nesta seção:
Generalização
Precipitada Lista
Definição:
O tamanho da amostra é muito limitado para apoiar a conclusão.
Exemplos:
(i) Fred, o Australiano, roubou a minha carteira. Portanto, os Australianos
são ladrões. (Claro que não devemos julgar os Australianos na base de
um exemplo)
(ii) Perguntei a seis dos meus amigos o que eles pensavam das novas
restrições ao consumo e eles concordaram que se trata de uma boa ideia.
Portanto as novas restrições são populares.
Prova:
Identifique as dimensões da amostra e a população em questão. Depois
mostre que a amostra é insuficiente. Note: uma prova formal requer cálculo
matemático porque está em jogo a teoria das probabilidades. Mas em muitas
situações podemos confiar no bom senso.
Referências:
Barker: 189, Cedarblom e Paulsen: 372, Davis: 103
Amostra Limitada
Lista
Definição:
Há diferenças relevantes entre a amostra usada na inferência indutiva
e a população como um todo.
Exemplos:
(i) Para vermos como os Canadenses vão votar na próxima eleição sondamos
uma centena de pessoas em Calgary. Isto mostra, sem dúvida, que o Partido
Reformador vai limpar as eleições. (As pessoas de Calgary tendem a ser
mais conservadoras e, portanto, mais propensas a votar no Reformador
do que as outras pessoas no resto do país.)
(ii) As maçãs do topo da caixa parecem boas. Todas as maçãs desta caixa
devem ser boas. (As maçãs com bicho, claro, estão em camadas mais fundas.)
Prova:
Mostre que há diferenças relevantes entre a amostra e a população como
um todo. Depois, argumente que por a amostra ser diferente, a conclusão
provavelmente é diferente.
Referências:
Barker: 188, Cedarblom e Paulsen: 226, Davis: 106
Falsa Analogia
Lista
Definição:
Numa analogia mostra-se, primeiro, que dois objectos, A e B, são semelhantes
em algumas das suas propriedades, R, S, T. Conclui-se, depois, que como
A tem a propriedade P, então B também deve ter a propriedade P. A analogia
falha quando os dois objectos, A e B, diferem de tal modo que isso possa
afetar o fato de ambos terem a propriedade P. Diz-se, neste caso, que
a analogia esqueceu diferenças relevantes.
Exemplos:
(i) Os empregados são como pregos. Temos de martelar a cabeça dos pregos
para estes desempenharem a sua função. O mesmo deve acontecer aos empregados.
(ii) O Governo é como os negócios. Assim, como os negócios devem ser
sensíveis, em primeiro lugar, ao balanço final, então o governo
também o deve ser. (Mas os objetivos do governo e dos negócios
são completamente diferentes; assim provavelmente têm de encontrar critérios
diferentes.)
Prova:
Identifique os dois objetos ou eventos que estão a ser comparados e
a propriedade que se diz que ambos possuem. Mostre que os dois objectos
diferem de tal modo que a analogia se torna insuficiente.
Referências:
Barker: 192, Cedarblom e Paulsen: 257, Davis: 84
Indução Preguiçosa
Lista
Definição:
A conclusão apropriada de um argumento indutivo é negada apesar da evidência
em contrário.
Exemplos:
(i) Hugo teve 12 acidentes nos últimos 6 meses. No entanto, ele continua
a dizer que se trata de coincidência e não de culpa sua. (Indutivamente,
as provas apontam irresistivelmente para a culpa de Hugo. Este exemplo
foi retirado de Barker, p. 189)
(ii) Sondagens e mais sondagens mostram que o N.D.P. ganhará menos de
10 lugares no Parlamento. Apesar disso o líder do Partido insiste que
o Partido está fazendo melhor do que as sondagens sugerem. (De fato
o N.D.P. só obteve 9 lugares.)
Prova:
Acima de tudo pode insistir na força da inferência.
Referências:
Omissão de
Provas Lista
Definição:
Dados importantes, que arruinariam um argumento indutivo, são excluídos.
A exigência de que toda a informação relevante e disponível seja incluída
é chamada "princípio da evidência total".
Exemplos:
(i) Jones é Albertano, e a maioria dos Albertanos vota Tori, portanto
Jones provavelmente votará Tory. (A informação deixada de fora é que
Jones vive em Edmonton e a maioria dos Edmontanos vota Liberal ou N.D.P.)
(ii) Muito provavelmente os Leafs vão ganhar este jogo porque ganharam
nove dos últimos dez jogos. (Oito das vitórias dos Leafs foram obtidas
sobre equipas de escalões secundários, na fase de preparação, e agora
vão defrontar uma equipe de primeira divisão.)
Prova:
Exponha os dados em falta e mostre que eles mudam a conclusão do argumento
indutivo. Note que não basta mostrar que nem todas as provas foram incluídas;
é preciso mostrar que as provas em falta justificam outra conclusão.
Referências:
Falácias Envolvendo
Silogismos Estatísticos Lista
Uma generalização estatística é um enunciado geralmente verdadeiro,
mas nem sempre é verdadeiro. A generalização estatística é indicada,
muitas vezes, por expressões como "quase sempre" ou "a maioria". Por
exemplo, "a maioria dos conservadores favorecem cortes na Segurança
Social", ou "Os conservadores geralmente favorecem cortes na Segurança
Social". Algumas vezes, nenhuma palavra específica é
usada, como em "Os conservadores favorecem cortes na Segurança
Social".
Falácias envolvendo generalizações estatísticas
ocorrem porque a generalização nem sempre é verdadeira. Portanto, quando
um autor trata a generalização estatística como se ela fosse sempre
verdadeira, o autor comete uma falácia.
Esta seção descreve as seguintes falácias que envolvem silogismos
estatísticos:
Acidente
Lista
Definição:
Uma regra geral é aplicada quando as circunstâncias sugerem que a exceção
à regra deve ser aplicada.
Exemplos:
(i) A lei diz que não deves conduzir a mais de 50 Km/h. Portanto, mesmo
que o teu pai não possa respirar, não deves passar dos 50 Km/h.
(ii) É bom devolver as coisas que nos emprestaram. Portanto, deves devolver
essa arma automática ao louco que te emprestou. (Adaptado de Platão,
"A República", Livro I).
Prova:
Identifique a generalização em questão e mostre que não é uma generalização
universal. Depois mostre que as circunstâncias deste caso sugerem que
a generalização não deve ser aplicada.
Referências:
Inversa
do Acidente Lista
Definição:
Uma exceção a uma generalização é aplicada nos casos em que a generalização
deveria aplicar-se.
Exemplos:
(i) Se deixarmos os doentes terminais usarem heroína, devemos deixar
todo mundo usá-la.
(ii) Se deixou que Joana, a tal moça que foi atropelada por um caminhão,
entregasse o trabalho ais tarde, também deveria permitir que toda a
turma entregasse o trabalho mais tarde.
Prova:
Identifique a generalização em questão e mostre como o caso especial
é uma exceção à generalização.
Referências:
Falácias
Causais Lista
Os argumentos causais são os argumentos onde se conclui que uma coisa
ou acontecimento causa outra. São muito comuns mas, como a relação entre
causa e efeito é complexa, é fácil cometer erros.
Em geral dizemos que a causa C é a causa do efeito E se e só se:
- (i) Geralmente, quando C ocorre, também E ocorre, e
- (ii) Geralmente, se C não ocorre, então E também não ocorre.
Dizemos "geralmente" porque há sempre excepções.
- Dizemos, por exemplo, que riscar o fósforo é a causa da chama porque:
- (i) Geralmente, quando riscamos o fósforo ele acende (exceto
quando riscamos o fósforo dentro de água...), e
- (ii) Geralmente, quando o fósforo não é riscado, ele não acende
(exceto quando o acendemos com um maçarico...)
Muitos estudiosos requerem também que um enunciado causal seja apoiado
por uma lei da natureza. Por exemplo, o enunciado "riscar o fósforo é
a causa da chama" é justificado pelo princípio "a frição produz calor,
e o calor produz o fogo". Os seguintes argumentos são falácias causais:
Post Hoc (Por uma coisa segue a outra, conclui-se
que ela é a causa da outra.)
Efeito Conjunto (A alegada causa e o efeito são ambos
efeitos de uma mesma causa.)
Insignificância (A causa alegada é insignificante
quando comparada a outras.)
O Efeito pela Causa (A direção entre causa e efeito
é invertida.)
Causa Complexa (A causa identificada é apenas uma
parte da causa inteira.)
Correlação
de Coincidência (post hoc ergo propter hoc) Lista
Definição:
O nome em Latim significa: "depois disso, logo, por causa disso". Isto
descreve a falácia. Um autor comete a falácia quando assume que, por
uma coisa se seguir a outra, então aquela foi causada por esta.
Exemplos:
(i) A imigração para Alberta de Ontario aumentou. Logo depois, a prosperidade
aumentou. Portanto o incremento da imigração causou o incremento da
prosperidade.
(ii) Tomei o EZ-Mata-Gripe e dois dias depois a minha gripe desapareceu.
Prova:
Mostre que a correlação é coincidência, mostrando: (i) que o "efeito"
teria ocorrido mesmo sem a alegada causa ocorrer, ou que (ii) o efeito
teve uma causa diferente da que foi sugerida.
Referências:
(Cedarblom e Paulsen: 237, Copi e Cohen: 101)
Efeito Conjunto
Lista
Definição:
Sustenta-se que uma coisa causa outra quando, de fato, são ambas o efeito
de uma mesma causa subjacente. Esta falácia é muitas vezes apresentada
como um caso especial de falácia post hoc ergo propter hoc.
Exemplos:
(i) Estamos vivendo uma fase de elevado desemprego que é provocado por
por uma baixa demanda de consumo. (De fato, ambos podem ser causados
por taxas de juro muito elevadas.)
(ii) Você está com febre e isso está fazemdp com que te
enchas de borbulhas. (De fato, ambos os sintomas são causados pelo sarampo.)
Prova:
Identifique os dois efeitos e mostre que ambos são provocados pela mesma
causa subjacente. É preciso indicar a causa oculta e provar que ela
causa cada sintoma.
Referências:
(Cedarblom e Paulsen: 238)
Causa Genuína
mas Insignificante Lista
Definição:
O objeto ou evento identificado como sendo a causa de um efeito é uma
causa genuína, mas insignificante quando comparada com outras causas
daquele evento. Note que esta falácia não se aplica quando
todas as outras causas são igualmente insignificantes. Não é falacioso
dizer que a sua ajuda causou a derrota do partido do governo, porque
o seu voto tem o mesmo peso de qualquer outro voto e, portanto, é igualmente
parte da causa.
Exemplos:
(i) Fumar causa a poluição do ar em Edmonton. (É verdade, mas o efeito
do fumo do tabaco é insignificante comparado com o efeito poluente dos
automóveis.)
(ii) Deixando a tua fornalha acesa durante a noite você está
contribuindo para o aquecimento global do planeta.
Prova:
Identifique a causa muito mais significativa.
Referências:
(Cedarblom e Paulsen: 238)
O Efeito Pela
Causa Lista
Definição:
A relação entre causa e efeito é invertida.
Exemplos:
(i) O câncer faz fumar.
(ii) A propagação da AIDS foi provocada pela educação sexual. (Na verdade,
o desenvolvimento da educação sexual foi provocado pela propagação da
AIDS.)
Prova:
Exponha um argumento causal, mostrando que a relação entre causa e efeito
foi, de fato, invertida.
Referências:
(Cedarblom e Paulsen: 238)
Causa Complexa
Lista
Definição:
O efeito é causado por um número de objetos ou eventos, dos quais a
causa identificada é apenas um parte. Uma variante disto são os ciclos
de feedback onde o efeito é, ele mesmo, parte da causa.
Exemplos:
(i) O acidente foi causado pela má localização da placa de sinalização.
(Verdade, mas o acidente não teria ocorrido se o condutor não estivesse
bêbado, e o pedestre não estivesse atravessando a rua sem observar
as regras de cruzamento.)
(ii) A explosão do Challenger foi causada pelo tempo frio. (Verdade,
mas não teria ocorrido se os O-anéis tivessem sido bem construídos.)
(iii) As pessoas estão com medo por causa do incremento do crime. (Verdade,
mas as pessoas têm sido levadas a violar a lei em conseqüência do seu
medo. O que incrementa ainda mais o crime.)
Prova:
Mostre que todas as causas, e não apenas aquela que foi mencionada,
são precisas para explicar o efeito.
Referências:
Errando o
Alvo Lista
Estas falácias têm em comum uma falha geral para provar que a conclusão
é verdadeira.
As seguintes falácias são casos de "não entendeu o ponto":
Petição
de Princípio (petitio principii) Lista
Definição:
A verdade da conclusão é assumida pelas premissas. Muitas vezes, a conclusão
é apenas reafirmada nas premissas de uma forma ligeiramente diferente.
Nos casos mais sutis, a premissa é uma conseqüência da conclusão.
Exemplos:
(i) Uma vez que eu não estou mentindo, logo eu estou dizendo
a verdade.
(ii) Sabemos que Deus existe, uma vez que a Bíblia diz que Deus existe.
O que a Bíblia diz deve ser verdadeiro, uma vez que foi escrita por
Deus e Deus nunca mente. (Neste caso, primeiro teríamos de concordar
que Deus existe para então aceitarmos que ele escreveu a Bíblia.)
Prova:
Mostre que para acreditarmos que as premissas são verdadeiras,
deveríamos concordar que a conclusão é verdadeira.
Referências:
Barker: 159, Cedarblom e Paulsen: 144, Copi e Cohen: 102, Davis:
33
Conclusão
Irrelevante (ignoratio elenchi) Lista
Definição:
Um argumento prova uma coisa diferente da pretendida.
Exemplos:
(i) Você deveria aceitar os novos impostos imobiliários.
Não podemos continuar a ver pessoas a viver nas ruas, devemos ter rendas
mais baratas. (Podemos pensar que é inaceitável ver pessoas a viver
nas ruas e, no entanto, não estarmos de acordo com os novos impostos
imobiliários.)
(ii) Nós deveríamos apoiar ações afirmativas.
A lei deve estipular uma percentagem mínima de mulheres nos cargos políticos,
repartições e empresas. Os homens dominam praticamente todos os cargos
importantes. Só uma sociedade discriminatória o pode suportar. Não fazermos
nada para alterar esse estado de coisas é inaceitável. (Podemos concluir,
com o argumentador, que a nossa sociedade é machista sem termos de aceitar
que a discriminação positiva que ele propõe seja a solução para acabar
com a discriminação.)
Prova:
Mostre que a conclusão apresentada pelo argumentador, com a qual até
pode concordar, não é a conclusão que ele pretendia provar.
Referências:
Espantalho
Lista
Definição:
O argumentador, em vez de atacar o melhor argumento do seu opositor,
ataca um argumento diferente, mais fraco e/ou tendenciosamente interpretadodo.
Infelizmente é uma das "técnicas" de argumentação mais usadas.
Exemplos:
(i) As pessoas que querem legalizar o aborto querem prevenção irresponsável
da gravidez. Mas nós queremos uma sexualidade responsável. Logo, o aborto
não deve ser legalizado
(ii) Devemos manter o recrutamento obrigatório. As pessoas não querem
fazer o serviço militar porque não lhes convém. Mas devem reconhecer
que há coisas mais importantes do que a conveniência.
Prova:
Mostre que o argumento oposto foi mal representado, mostrando que os
opositores têm argumentos mais fortes. Descreva o argumento mais forte.
Referências:
Falácias de
Ambigüidade Lista
As falácias desta seção são, todas elas, falácias geradas pela falta
de clareza no uso de uma frase ou palavra. Há dois modos de isto
acontecer:
- (i) A palavra ou frase podem ser ambíguas, no caso em que têm
mais de um sentido distinto.
- (ii) A palavra ou frase podem ser vagas, no caso em que não
têm um sentido distinto.
As seguintes falácias são de ambigüidade:
Equívoco (O mesmo termo é usado de duas maneiras
diferentes)
Anfibologia (A estrutura de uma frase permite duas
interpretações diferentes)
Ênfase (Uma ênfase sugere um significado diferente
do qual é normalmente usado)
Equívoco
Lista
Definição:
A mesma palavra é usada com dois significados diferentes.
Exemplos:
(i) Ações criminais são ilegais, e todos os julgamentos
de assassinato são ações criminais, logo todos
os julgamentos de assassinato são ilegais. (Exemplo retirado
de Copi.)
(ii) A placa dizia "fine for parking here" (que significa
"multa se estacionar aqui", mas pode ser mal-interpretado
como "legal se estacionar aqui"). E quando estava legal, eu
estacionei lá.
(iii) Os assassinos de cianças são desumanos. Portanto, nenhum assassino-de-crianças
é humano. (O argumento joga com os significados moral e descritivo
de 'humano'.) (De Barker, p. 164; isto é chamado de "inversão
ilícita".)
(iv) Um "plane" (que pode ser tanto "aplainador"
como "aeroplano") é uma ferramenta de carpinteiro,
e o Boeing 737 é um "plane", logo o Boeing 737 é
uma ferramenta de carpinteiro. (Exemplo retirado de Davis, p. 58)
(v) Para ser grande ou pequeno um objecto tem, primeiro, de ser. Logo,
o ser do objecto surgiu primeiro. (O argumento joga com os significados
lógico e físico de "ser".)
Prova:
Identifique a palavra que é usada mais de uma vez. Depois, mostre que
uma definição que é apropriada num contexto, não
é apropriada para o outro contexto.
Referências:
(Barker: 163, Cedarblom e Paulsen: 142, Copi e Cohen: 113, Davis:
58)
Anfibologia
Lista
Definição:
Uma anfibologia ocorre quando a construção da frase permite-lhe ter
dois diferentes significados.
Exemplos:
(i) No teu emprego todos gostam de um carro. Portanto, há um carro muito
especial. (Todos gostam de pelo menos um carro ou de um mesmo carro?)
(ii) O Oráculo de Delos disse a Croseus que se ele continuasse a guerra
ele destruiria um reino poderoso. (O que o Oráculo não disse é
que seria o seu próprio reino. Adaptado do livro As Histórias,
de Heroditus.)
Prova:
Identifique a frase ambígua e mostre as duas possíveis
interpretações.
Referências:
Ênfase
Lista
Definição:
A ênfase é usada para sugerir uma proposição diferente daquela que,
de fato, é expressa.
Exemplos:
(i) Não distribuímos
CERVEJA GRÁTIS!
(ii) A ex-namorada, procurando vingar-se do capitão, escreveu no jornal:
"hoje o capitão estava sóbrio" (Ela sugere, com a ênfase, que habitualmente
o capitão está bêbado. De Copi, p. 117)
Referências:
Erros de
Categorização Lista
Estas falácias ocorrem porque o autor assume erroneamente que o todo
não é nada mais do que a soma de suas partes. Entretanto,
as coisas juntas ao mesmo tempo podem ter diferentes propriedades de
modo geral, do que qualquer delas separadamente.
As seguintes falácias são erros de categorização:
Composição (Como as partes têm uma certa propriedade,
argumenta-se que o todo tem essa mesma propriedade)
Divisão (Como o todo tem uma certa propriedade, argumenta-se
que as partes têm essa mesma propriedade)
Composição
Lista
Definição:
Porque as partes de um todo têm uma certa propriedade, argumenta-se
que o todo tem essa mesma propriedade. Esse todo pode ser tanto um objecto
composto de diferentes partes, como uma coleção ou conjunto de membros
individuais.
Exemplos:
(i) Cada tijolo da parede tem três polegadas de altura. Portanto a parede
de tijolos têm três polegadas de altura.
(ii) A Alemanha é um país bélico. Logo, cada alemão
é bélico.
(iii) Bombas convencionais fizeram mais estrago na Segunda Guerra Mundial,
do que bombas nucleares. Logo, uma bomba convencional é mais
perigosa do que uma bomba nuclear. (De Copi, p. 118)
(iv) As células não têm consciência. Portanto, o cérebro, que é feito
de células, não tem consciência.
Prova:
Identifique o todo e as partes em questão. Mostre que as propriedades
em questão são as propriedades do todo, e não de
cada parte ou membro pertencente ao todo. Se necessário, descreva
as partes para mostrar que elas não poderiam ter as propriedades
do todo.
References
(Barker: 164, Copi e Cohen: 117)
Divisão
Lista
Definição:
Como o todo tem uma certa propriedade, argumenta-se que as partes têm
essa propriedade. O todo em questão pode ser tanto um objeto como uma
coleção ou conjunto de membros individuais.
Exemplos:
(i) A parede de tijolo tem seis pés de altura. Logo, os tijolos
da parede têm seis pés de altura.
(ii) Como o cérebro tem consciência, cada célula do cérebro deve ter
consciência.
(iii) Como tudo tem uma causa, então há uma causa de tudo.
(iv) Como todos têm uma mãe, então há uma mãe de todos.
Prova:
Identifique o todo e as partes em questão. Mostre que as propriedades
em questão são propriedades das partes, e não do todo. Se necessário,
descreva as partes para mostrar que elas não poderiam ter as
propriedades do todo.
Referências:
Barker: 164, Copi e Cohen: 119
Non Sequitur
Lista
O termo non sequitur significa literalmente "não se segue que". Nesta
seção descrevemos falácias que ocorrem como conseqüência da sua forma
de argumento inválida. As seguintes falácias são non sequiturs:
Afirmação
do Conseqüente Lista
Definição:
Todo o argumento com a seguinte forma é inválido:
Se A então B
Ora, B
Logo, A
Exemplos:
(i) Se jogamos bem ganhamos. Ora, ganhamos. Logo, jogamos bem. (De fato
jogamos mal, mas o adversário jogou pior e o árbitro ajudou)
(ii) Se estou em Campinas, estou em São Paulo. Ora, eu estou em São
Paulo. Logo, estou em Campinas. (Claro ainda que as premissas sejam
verdadeiras, eu posso estar em Santos ou em Presidente Prudente.)
(iii) Se a fábrica estivesse poluindo o rio, então veríamos o número
de peixes mortos aumentar. Há cada vez mais peixes a morrer. Logo, a
fábrica está poluindo o rio.
Prova:
Mostre que, mesmo sendo as premissas verdadeiras, a conclusão pode ser
falsa. Em geral basta mostrar que B pode ser conseqüência de outra coisa
que não A. Por exemplo, a morte dos peixes pode ser provocada pela aplicação
de pesticidas e não pela fábrica.
Referências:
Barker: 69, Cedarblom e Paulsen: 24, Copi e Cohen: 241
Negação do
Antecedente Lista
Definição:
Os argumentos com a seguinte forma são inválidos:
Se A então B
Não-A
Logo, não-B
Exemplos:
(i) Se fores atingido por um carro quando tiveres 6 anos, morres jovem.
Mas não foste atingido por um carro aos 6 anos. Portanto, não vais morrer
jovem. (Claro que ele poderia ser atingido por um comboio com a idade
de 6 anos e, nesse caso, morria jovem)
(ii) Se eu estou em Faro então estou no Algarve. Não estou em Faro.
Logo, não estou no Algarve. (Mas pode estar em Olhão...)
Prova:
Mostre que a conclusão pode ser falsa mesmo que as as premissas sejam
verdadeiras. Em particular, mostre que o consequente, B, pode ocorrer
mesmo que A não ocorra.
Referências:
Barker: 69, Cedarblom e Paulsen: 26, Copi e Cohen: 241
Inconsistência
Lista
Definição:
O argumentador avança pelo menos duas proposições que não podem ser
verdadeiras ao mesmo tempo. Em tais casos as proposições podem ser contrárias
ou contraditórias.
Exemplos:
(i) Montreal está a cerca de 200 km de Otava, enquanto Toronto está
a 400 km de Otava. Toronto está mais perto de Otava do que Montreal.
(ii) John é maior do que Jake, e Jake é maior do que Fred, enquanto
Fred é maior do que John.
Prova:
Assuma que um dos enunciados é verdadeiro e use-o como uma premissa
para mostrar que o outro enunciado é falso.
Referências:
Erros Silogísticos
Lista
As falácias nesta seção são todas casos de silogismos categóricos
inválidos. Leitores que não estão familiarizados com silogismos categóricos
devem consultar o Guia do Stephen de Silogismos Categóricos.
As seguintes falácias são silogísticas:
Falácia dos
Quatro Termos (quaternio terminorum) Lista
Definição:
Exemplos:
(i) Todos os cães são animais e todos os gatos são mamíferos, portanto
todos os câes são mamíferos.
- Os quatro termos são: cães, animais, gatos e mamíferos.
- Nota: Em muitos casos a falácia dos quatro termos é um
caso especial de equívoco. Enquanto a mesma palavra
é usada, a palavra possui significados diferentes e, portanto,
a palavra é tratada como dois termos diferentes. Considere o exemplo
seguinte:
(ii) Apenas o homem nasce livre e nenhuma mulher é homem, portanto,
nenhuma mulher nasce livre.
- Os quatro termos são: homem (no sentido de 'humanidade'), homem
(no sentido de 'macho, masculino'), mulher e nasce livre.
Prova:
Identifique os quatro termos e onde necessário enuncie o significado
de cada termo.
Referências:
Meio Não
Distribuido Lista
Definição:
O termo do meio nas premissas de uma forma padrão
de silogismo categórico nunca refere-se à totalidade dos membros
da categoria que ele descreve.
Exemplos:
(i) Todos os russos eram revolucionários e todos os anarquistas eram
revolucionários, portanto, todos os anarquistas eram russos.
- O termo do meio é 'revolucionário'. Mesmo que ambos russos e anarquistas
compartilhem a propriedade comum de serem revolucionários, eles
podem ser grupos separados de revolucionários, portanto não podemos
concluir que os anarquistas são o mesmo que russos de maneira alguma.
Exemplo de Copi e Cohen, 208.
(ii) Todos os que ultrapassam receberão tiros e alguém foi atingido
por um tiro, portanto, alguém ultrapassou. All trespassers are shot,
e someone was shot, therefore, someone was a trespasser.
- O termo do meio é 'tiro'. Mesmo que ambos 'alguém' e 'quem ultrapassa'
compartilhem a propriedade de terem recebido um tiro, isso não quer
dizer que o alguém em questão ultrapassou, ele pode ter sido vítima
de um assalto.
Prova:
Mostro como cada uma das duas categorias identificadas na conclusão
podem ser grupos separados mesmo que compartilhem uma propriedade em
comum.
Referências:
Ilícito Maior
Lista
Definição:
O termo predicado da conclusão refere-se a totalidade dos membros desta
categoria, mas o mesmo termo nas premissas refere-se apenas a alguns
membros desta categoria.
Exemplos:
(i) Todos os cariocas são brasileiros e nenhum paulista é carioca, portanto,
nenhum paulista é brasileiro. All Texans are Americans, e no Californians
are Texans, therefore, no Californians are Americans.
- O termo predicado na conclusão é 'cariocas'. A conclusão refere-se
a todos os brasileiros (cada brasileiro não é paulista, de acordo
com a conclusão). Mas as premissas referem-se apenas a alguns brasileiros
(aqueles que são cariocas).
Prova:
Mostre que pode haver outros membros da categoria do predicado que não
foram mencionados nas premissas e que são contrários à conclusão.
Por exemplo, no (i) acima, pode-se dizer que "Embora seja verdade
que todos os cariocas são brasileiros, também é verdade que o Faustão
é brasileiro, mas o Faustão é paulista, então não é verdade que nenhum
paulista é brasileiro."
Referências:
Ilícito Menor
Lista
Definição:
O termo sujeito da conclusão refere-se a totalidade de membros desta
categoria mas o mesmo termo nas premissas refere-se apenas a alguns
membros desta categoria.
Exemplos:
(i) Todos os comunistas são subversivos e todos os comunistas são críticos
do capitalismo, portanto, todos os críticos do capitalismo são subversivos.
(i) All communists are subversives, e all communists are critics of
capitalism, therefore, all critics of capitalism are subversives.
- O termo sujeito na conclusão é 'críticos do capitalismo'. A conclusão
refere-se a todos os críticos. A premissa que 'todos os comunistas
são críticos do capitalismo' refere-se apenas a alguns críticos
do capitalismo; pode haver outros críticos que não são comunistas.
Prova:
Mostre que pode haver outros membros da categoria do sujeito que não
foram mencionados nas premissas que são contrários à conclusão.
Por exemplo, no (i) acima, pode-se dizer que "Embora seja verdade
que todos os comunistas são críticos do capitalismo, também é verdade
que Thomas Jefferson foi um crítico do capitalismo mas Thomas Jefferson
não era subversivo, então nem todos os críticos do capitalismo são
subversivos."
Referências:
Premissas
Exclusivas Lista
Definição:
Uma forma padrão de silogismo categórico possui duas premissas negativas
(uma premissa negativa é qualquer premissa na forma 'Nenhum S é P' ou
'Alguns S não são P').
Exemplos:
(i) Nenhum novaiorquino é brasileiro e nenhum brasileiro é americano,
portanto, nenhum novaiorquino é americano.
- Na verdade, já que Nova Iorque é um estado dos Estados Unidos,
todos os novaiorquinos são americanos.
Prova:
Presuma que as premissas são verdadeiras. Encontre um exemplo que permita
que as premissas sejam verdadeiras mas que claramente contradiga a conclusão.
Referências:
Falácia de
Criar uma Conclusão Afirmativa de uma Premissa Negativa Lista
Definição:
A conclusão da forma padrão de silogismo categórico é afirmativa mas
pelo menos uma das premissas é negativa.
Exemplos:
(i) Todos os ratos são animais e alguns animais não são perigosos, portanto
alguns ratos são perigosos.
(ii) Nenhuma pessoa honesta rouba e todas as pessoas honestas pagam
impostos, então algumas pessoas que roubam pagam impostos.
Prova:
Presuma que as premissas são verdadeiras. Encontre um exemplo que permita
que as premissas sejam verdadeiras mas que claramente contradiga a conclusão.
Referências:
Falácia
Existencial Lista
Definição:
Uma forma padrão de silogismo categórico com duas premissas universais
possui uma conclusão particular.
A idéia é que algumas propriedades universais não precisam ser exemplificadas.
Pode até ser verdade que 'todos os que ultrapassarem serão alvejados
por tiros' mesmo se não houver ninguém que ultrapasse. Pode ser verdade
que 'todos os trens sem freio são perigosos' embora não exista trem
sem freio. Esta é a idéia desta falácia.
Exemplos:
(i) Todos os camundongos são animais e todos os animais são perigosos,
então alguns camundongos são perigosos..
(ii) Nenhuma pessoa honesta rouba e todas as pessoas honestas pagam
impostos, então algumas pessoas honestas pagam impostos.
Prova:
Presuma que as premissas são verdadeiras mas que não existem exemplos
da categoria descrita. Por exemplo, no (i) acima, presuma que não há
camundongo e no (ii) acima, presuma que não há pessoa honesta. Isto
mostra que a conclusão é falsa.
Referências:
Falácias
da Explicação Lista
Uma explicação é uma forma de raciocínio que tenta dar resposta à
pergunta "Porquê?" Por exemplo: é com uma explicação que respondemos
a uma pergunta como "Por que o céu é azul?"
Uma boa explicação será baseada numa teoria científica ou empírica.
A explicação de do azul do céu será dada em termos da composição dos
céus e das teorias da reflexão.
Falácias da explicação:
Inventando
Fatos Lista
Definição:
Uma explicação pretende dizer-nos porque acontece certo fenômeno. A
explicação é falaciosa se o fenômeno não ocorre ou se não houver prova
de que possa ocorrer.
Exemplos:
(i) A razão da timidez da maioria solteiros reside no caráter possessivo
das mães. (Uma tentativa de explicar porque é que a maioria dos solteiros
são tímidos. No entanto não sucede que a maioria dos solteiros sejam
pessoas tímidas)
(ii) João entrou na loja porque queria ver a Maria. (Isto é uma falácia
porque, de fato, João queria ver a Maria mas sabia ela não estava na
loja. Por isso não entrou...)
(iii) A razão pela qual a maioria das pessoas se opõem à greve é o medo
de perder o emprego. (Pretende-se explicar a oposição dos trabalhadores
à greve. Mas suponha que eles votam a continuação da greve. Então não
há, de fato, oposição à greve. Isto tem acontecido...)
Prova:
Identifique o fenômeno que está a ser explicado. Mostre que não há razão
para acreditar que o fenômeno tenha de fato ocorrido.
Referências:
Torcendo
os Fatos Lista
Definição:
Uma explicação pretende dizer-nos porque acontece certo fenômeno (fato).
O fenômeno ou fato está estabelecido, o argumento visa estabelecer a
explicação. Neste tipo de falácia, no entanto, apesar de algo semelhante
ao fenômeno a explicar ter ocorrido, ele é falsificado, montado com
parcialidade ou baseado em provas ad hoc.
Exemplos:
(i) A timidez da maioria dos solteiros explica-se pelo caráter dominador
das mães. (Pretende-se explicar a timidez da maioria dos solteiros.
No entanto provou-se que o autor baseou a sua argumentação em dois solteiros
que conheceu em tempos, sendo ambos tímidos... Isto está longe de ser
artificial: é assim que muitas vezes formamos a nossa opinião sobre
diversos grupos humanos)
(ii) A razão pela qual obtenho boas classificações é que os meus alunos
me apreciam. (Isto é uma falácia quando as avaliações com menos de 70%
são eliminadas com a justificação de que os alunos não compreenderam
a questão...)
Prova:
Identifique o fenômeno que está a ser explicado. Mostre que as provas
avançadas para afiramar a existência do fenômeno foram, de algum modo,
manipuladas.
Referências:
Irrefutabilidade
Lista
Definição:
A teoria que foi apresentada para explicar a ocorrência de algum fenômeno
não pode ser testada.
Testamos uma teoria por meio das suas previsões. Por exemplo, uma
teoria pode predizer que a luz encurva em certas condições, ou que
um líquido muda de cor com o ácido, ou que um psicótico responda mal
a certos estímulos. Se o evento previsto não ocorrer, então as provas
contradizem a teoria.
Uma teoria não pode ser testada se não faz previsões. Também não
é testada quando prevê acontecimentos que podem ocorrer seja ou não
a teoria verdadeira.
Exemplos:
(i) Um avião desapareceu no meio do Atlântico devido ao efeito do Triângulo
das Bermudas, uma força tão subtil que não pode ser medida por qualquer
instrumento. (A "força" do Triângulo das Bermudas não se atribui mais
nenhum efeito para além do desaparecimento ocasional de um avião. Por
isso, a única previsão que ela permite é que mais aviões se perderão.
Mas isto é o que pode muito bem acontecer independentemente de a teoria
ser verdadeira ou falsa. )
(ii) Ganhei a lotaria porqueb a minha aura psíquica fez.me ganhar (Uma
maneira de testar esta teoria é tentar ganhar de novo a lotaria. Mas
a pessoa responde que essa aura só o faz ganhar uma vez. Não há, portanto,
uma maneira de determinar se o ganho foi resultado da aura ou do acaso.)
(iii) A razão pela qual tudo existe é que Deus tudo criou. (Isto pode
ser verdade, mas como explicação não tem qualquer peso porque não temos
meios para testar tal teoria. Nenhuns fatos no mundo podem mostrar que
esta teoria é falsa porque, de acordo com tal teoria, todos os fatos
foram criados por Deus.)
(iv) NyQuil fá-lo dormir devido à sua fórmula dormitiva (Quando pressionado,
o fabricante definirá a "fórmula dormitiva" como "qualquer coisa que
o faz dormir". Para testar esta teoria, teríamos de descobrir outra
coisa que contivesse a fórmula dormitiva e verificar se ela faz dormir.
Mas, como encontramos alguma coisa que contenha a fórmula dormitiva?
Procuramos por coisas que façam dormir! Mas nós podemos predizer que
as coisas que fazem dormir, fazem dormir, não interessando o que a teoria
diz. Esta teoria é vazia.)
Prova:
Identifique a teoria. Mostre que ela não faz previsões ou que as previsões
feitas com a teoria são falsas ou que as previsões que ela faz podem
ser verdadeiras mesmo que a teoria seja falsa.
Referências:
Âmbito Limitado
(Ad Hoc) Lista
Definição:
A teoria só explica um fenômeno e nada mais.
Exemplos:
(i) Havia hostilidade em relação aos hippies dos anos 60 por causa do
ressentimento dos seus pais em relação às crianças. (Esta é deficiente
porque explica a hostilidade em relação aos hippies e nada mais. Uma
teoria melhor seria dizer que havia hostilidade em relação aos hippies
porque os hippies são diferentes, e as pessoas temem coisas diferentes.
Esta teoria explicaria não só a hostilidade em relação aos hippies,
mas também outras formas de hostilidade. )
(ii) As pessoas tornam-se esquizofrénicas porque as diferentes partes
dos eu cérebro funcionam separadas. (Esta teoria explica a esquizofrenia
e nada mais.)
Prova:
Identifique a teoria e o fenômeno que ela explica mostre que a teoria
não explica nada mais. . Argumente que as teorias que só explicam um
fenômeno estão, no melhor dos casos, incompletas
Referências:
Profundidade
Limitada (Superficialidade) Lista
Definição:
As teorias explicam os fatos apelando a causas ou fenômenos subjacentes.
As teorias que não apelam a causas subjacentes e apenas apelam à pertença
a uma categoria (apenas incluem o fenômeno em uma classe de fenômenos)
são superficiais.
Exemplos:
(i) A minha gata gosta de atum porque é uma gata. (Esta teoria apenas
afirma que os gatos gostam de atum, sem explicar este fato.)
(ii) Ronald Reagan era militarista porque era americano. (Certo, ele
era americano. Mas, em que é que o fato de ser americano o torna militarista?
O que o levou a agir destamaneira? A teoria não nos diz isso e, portanto,
não nos dá uma boa explicação.)
(iii) Está dizendo isso só porque pertences à União. (Esta tentativa
de rejeição do argumento pretende explicar o comportamento do opositor
como manifestação de frivolidade. Falha, no entanto, porque não é uma
explicação. Suponhamos que toda a gente da União dizia o mesmo. E daí?
Tínhamos deir mais fundo -- tínhamos de perguntar por que razão
toda a gente da União dizia isso, antes de podermos concluir que as
afirmações do opositor são frívolas.)
Prova:
As teorias desta espécie tentam explicar um fenômeno, mostrando que
ele é parte de uma classe ou categoria de fenômenos semelhantes. Aceitando
esse fato exija uma explicação mais vasta para os fenômenos dessa categoria.
Argumente que uma teoria explicativa deve referir causas e não apenas
classificações.
Referências:
Falácias
de Definição Lista
Usamos definições para tornar os nossos conceitos mais claros. O propósito
da definição é enunciar com exactidão o significado de uma palavra.
Uma boa definição deve permitir que o leitor a aplique a casos concretos
sem ajuda exterior.
Por exemplo, suponhamos que queremos definir a palavra "maçã". Se
a definição for bem sucedida, então o leitor deve estar apto a ir para
o mundo e a aplicá-la a cada maçã que existe e só a maçãs. Se o leitor
falhar algumas maçãs ou incluir outros objectos (como pêras) ou não
puder dizer se algo é maçã ou não, então a definição falha. As definições
não são argumentos. Por isso, não se pode, com rigor, falar de "Falácias
da Definição". Mas definições incorrectas, por vezes tendenciosas, são
muitas vezes incluídas em argumentos tornando-os falaciosos.
Falácias de definição:
Demasiado Ampla (A definição inclui itens que não
devia incluir.)
Demasiado Restrita (A definição não abrange tudo
o que devia abranger.)
Falta de Clareza (A definição é mais difícil de
entender do que a palavra ou conceito que está a ser definido.)
Circularidade (A definição inclui o termo a definir
como parte da definição.)
Contradição (A definição é auto-contraditória.)
Demasiado
Ampla Lista
Definição:
A definição inclui mais do que devia incluir.
Exemplos:
(i) Uma maçã é um objecto vermelho e redondo. (O planeta Marte é vermelho
e redondo. Portanto está incluído na definição. Mas é óbvio que Marte
não é uma maçã.)
(ii) Uma figura é quadrada se e só se tiver quatro lados de igual comprimento.
(Não são só quadrados que têm quatro lados de igual comprimento. Os
losângulos também)
Prova:
Identifique o termos que está a ser definido. Identifique as condições
da definição. Procure um objecto que preencha as condições da conclusão
mas que obviamente não seja uma instância do termo a definir.
Referências:
Demasiado
Restrita Lista
Definição:
A definição não inclui tudo o que deveria incluir.
Exemplos:
(i) Uma maçã é algo vermelho e redondo. (Há muitas maçãs, e deliciosas
maçãs, que, não sendo maçãs vermelhas, não estão incluídas na definição
e deveriam estar)
(ii) Um livro é pornográfico se e só se contiver fotografias de pessoas
nuas. (Os livros escritos pelo Marquês de Sade não contêm figuras. No
entanto são tidos como sendo pornográficos. Portanto a definição é demasiado
limitada)
(iii) Alguma coisa é música se e apenas se for tocável num piano. (Um
solo de bateria não pode ser tocado num piano e, no entanto, não deixa
de ser música.)
Prova:
Identifique o termo que está a ser definido. Identifique as condições
da definição. Apresente um item que seja uma instância do termo mas
não preencha essas condições.
Referências:
Falta de
Clareza Lista
Definição:
A definição é tão ou mais difícil de compreender do que o termo a definir.
Exemplos:
(i) Uma pessoa é dissoluta se e só se for lasciva. (Pretende-se definir
o termo "dissoluta". Mas o significado do termo "dissoluta" é tão obscuro
como o do termo "lasciva". Assim a definição falha o seu objetivo de
clarificação.)
(ii) Um objeto é belo se e só se for esteticamente bem sucedido. (O
termo "esteticamente bem sucedido" é mais difícil de compreender do
que o termo "belo".)
Prova:
Identifique o termo que está a ser definido. Identifique as condições
da definição. Mostre que as condições não estão mais claramente definidas
do que o termo a definir.
Referências:
Circularidade
Lista
Definição:
Exemplos:
(i) Um animal é humano se e só se tem pais humanos. (Pretende-se definir
"humano". Mas para encontrarmos um ser humano temos de encontrar pais
humanos. Para encontrarmos pais humanos temos já de saber o que o que
é um ser humano.)
(ii) Um livro é pornográfico se e só se contiver pornografia. (Teríamos
já de saber o que é a pornografia para dizermos se um livro é ou não
pornográfico.)
Prova:
Identifique o termo que está a ser definido. Identifique as condições
da definição. Mostre que pelo menos um termo usado nas condições é o
mesmo que o termo que está a ser definido.
Referências:
Contradição
Lista
Definição:
A definição é auto-contraditória.
Exemplos:
(i) Uma sociedade é livre se e só se a liberdade for maximizada e as
pessoas forem legalmente obrigadas a tomar a responsabilidade das suas
ações. (As definições deste tipo são muito comuns, especialmente na
internet. Mas, se uma pessoa é legalmente obrigada a fazer alguma coisa,
já não podemos dizer que a liberdade está maximizada.)
(ii) As pessoas podem candidatar-se à licença de condução se: (a) não
tiverem experiência anterior de condução (b) tiverem acesso a um veículo,
e (c) tiverem experiência de operação com veículos motorizados (Uma
pessoa não pode ter operado com veículos motorizados se não tiver experiência
prévia de condução)
Prova:
Identifique as condições da definição. Mostre que nem todas podem ser,
ao emsmo tempo, verdadeiras. Em particular, assuma que uma das condições
e verdadeira e, depois, mostre que uma das outars condições deve ser
falsa).
Referências:
Proposição
Lista
Definição:
Uma proposição é a afirmação de que algo é verdadeiro. Usamos frases
para exprimir proposições.
Exemplos:
(i) As seguintes frases exprimem a mesma proposição:
- Está chovendo.
- Esta llooviendo.
- It is raining.
- Il pleut.
(ii) As seguintes frases exprimem a mesma proposição:
- João ama Maria.
- Maria é amada pelo João.
Discussão:
Faz sentido pensar numa proposição como sendo o significado de
uma frase. O significado de uma frase tem vários componentes:
- denotação: o estado de coisas que a frase afirma ser o
caso.
- conotação: os sentimentos, ideias ou emoções provocadas
pela frase no auditor.
- ênfase: a importância relativa que o autor atribui aos
diferentes elementos da frase.
Por exemplo, na frase "O fogo enfurecia-se morro abaixo" a denotação
da frase é afirmação de que um incêncio ocorre no morro e que ele
alastra-se morro abaixo. A conotação é a de que isso deve ser temido
(a palavra "enfurecia-se" implica fúria e perigo). A ênfase desta
frase está no próprio fogo. Se tivéssemos escrito "Morro abaixo enfurecia-se
o fogo" o ênfase estaria no morro.
Os filósofos discutem bastante sobre o significado. Alguns dizem
que o significado é apenas a denotação. Outros dizem que é a combinação
apenas da denotação e da conotação. Outros ainda (incluindo Stephen
Downes) dizem que o significado é a combinação dos três -- denotação,
conotação e ênfase.
References
Valor da Verdade
Lista
Uma proposição pode ter um dos seguintes valores
de verdade:
Os filósofos discutem muito sobre o que constitui a verdade. Por agora
podemos usar uma caracterização muito simples:
- "P" é verdadeiro se e somente se P.
- "P" é falso se e apenas se não P.
Por exemplo:
- A proposição "A neve é branca" é verdadeira se e somente se a neve
for branca.
- A proposição "A neve é branca" é falsa se e somente se a neve não
for branca.
Por outras palavras, uma proposição é verdadeira se ela descreve corretamente
um estado do mundo e será falsa se descrever incorrectamente um estado
do mundo. Isto é conhecido como A Teoria da Verdade de Tarski.
Tabela da Verdade
Lista
Uma tabela da verdade mostra o valor da verdade da proposição complexa
que resultou da aplicação de um operador lógico
a duas proposições mais simples, formando uma
nova proposição mais complexa.
Suponhamos que as duas proposições conectadas eram P e Q.
Cada uma destas proposições tem dois valores da verdade
possíveis: verdadeiro ou falso. Isto dá-nos quatro possíveis combinações
que estão representadas na tabela que se segue:
Na coluna da direita acrescentaremos a proposição complexa formada
pela ligação de P e Q. Por baixo escreveremos o valore
de verdade que ela adquire em cada um dos casos possíveis. Vejamos,
por exemplo, a tabela da verdade da proposição complexa P e Q:
Note-se que a proposição complexa pode ser verdadeira ou falsa em
função dos diferentes valores da verdade de P e Q e do
operador usado. Então, se sabemos quais são os
valores da verdade de P e Q, sabemos quais é o valor da
verdade de P e Q.
Operadores
Lógicos Lista
Os operadores lógicos aplicam-se a uma ou duas proposições
para formar novas proposições. (Se ainda não leu nada sobre proposições
deve fazê-lo agora)
O valor da verdade da nova proposição é determinado:
pelos valores de verdade das proposições ligadas e pelo operador aplicado.
Alguns dos operadores lógicos mais usados:
Disjunção
Lista
Quaisquer duas proposições, P e Q,
podem conectar-se como alternativas mútuas, produzindo uma nova proposição
(complexa):
A proposição "P ou Q" será verdadeira se pelo menos uma das
alternativas, P ou Q, for verdadeira. Será falsa se ambos
P e Q forem falsos.
A tabela da verdade de P ou Q é a seguinte:
Se você possui Java, tente por si mesmo:
Selecione os valores da verdade para as proposições P e Q
clicando nos botões ao lado de "P" e "Q" respectivamente. Qual é o valor
da verdade de P ou Q? Descubra clicando no botão "Computar".
Negação
Lista
Qualquer proposição P pode ser negada
mediante o operador negação, gerando uma nova proposição complexa:
A proposição Não P será verdadeira apenas se P for falsa.
Será falsa apenas se P for verdadeira. A tabela
da verdade de Não P é a seguinte:
Se você possui Java, tente por si mesmo:
Selecione os valores da verdade para as proposições P e Q
clicando nos botões ao lado de "P" e "Q" respectivamente. Qual é o valor
da verdade de Não P? Descubra clicando no botão "Computar".
Perceba que não importa se Q é verdadeiro ou falso. Não
P é sempre verdadeiro se P é falso, e falso se P é
verdadeiro.
Condicional
Lista
Quaisquer duas proposições, P e Q,
podem ser conectadas pelo condicional gerando a nova proposição complexa:
A proposição Se P, então Q é verdadeira se e só se P
for falsa ou Q for verdadeira. Só é falsa quando P é verdadeira
e Q falsa.
A tabela da verdade de Se P, então Q é
a seguinte:
Se você possui Java, tente por si mesmo:
Selecione os valores da verdade para as proposições P e Q
clicando nos botões ao lado de "P" e "Q" respectivamente. Qual é o valor
da verdade de If P then Q? Descubra clicando no botão "Computar".
Uma condicional especial ocorre se trocamos o P e o Q
de lugar: temos se Q então P, que é o mesmo que dizer P apenas
se Q.
Qual é o valor da verdade de P apenas se Q? Descubra clicando
no botão "Computar".
Perceba que P apenas se Q é falso apenas quando Q é
verdadeiro e P é falso.
Conjunção
Lista
Quaisquer duas proposições, P e Q,
podem ser conectadas gerando uma proposição nova e complexa:
A proposição P e Q será verdadeira se e apenas se P
e Q forem verdadeiras. Com qualquer outra combinação de valores
da verdade será falsa.
A tabela da verdade de P e Q é a seguinte:
Se você possui Java, tente por si mesmo:
Selecione os valores da verdade para as proposições P e Q
clicando nos botões ao lado de "P" e "Q" respectivamente. Qual é o valor
da verdade de P e Q? Descubra clicando no botão "Computar".
Bicondicional
Lista
Quaisquer duas proposições P e Q
podem ser ligadas com o bicondicional, gerando uma nova proposição complexa:
A proposição P se e só se Q é verdadeira se e apenas se P
e Q tiverem o mesmo valor da verdade - se ambas P e Q
forem verdadeiras ou ambas falsas. A tabela da verdade
de P se e só se Q é a seguinte:
Se você possui Java, tente por si mesmo:
Selecione os valores da verdade para as proposições P e Q
clicando nos botões ao lado de "P" e "Q" respectivamente. Qual é o valor
da verdade de P se e apenas se Q? Descubra clicando no botão
"Computar".
O bicondicional é um operador complexo, feito de operadores mais simples.
Pense nele dessa forma:
- P se e apenas se Q é o mesmo que:
- ( Se P então Q ) e ( P apenas se Q ). Isso é o mesmo que
dizer:
- ( Se P então Q ) e ( Se Q então P ).
O operador se e apenas se tem um papel especial nas Definições.
Quando dizemos P se e apenas se Q, estamos dizendo que P diz
a mesma coisa que Q.
Referências
Lista
Bibliografia do Guia das Falácias
A lista que se segue recenseia os melhores textos em lógica e em raciocínio
crítico. Apesar de não ser um guia completo (poderá haver tal coisa?)
ele deve ser um bom ponto de partida. Apesar de algum material estar
presente, restringi a a seleção a livros publicados neste século.
- Barker, Stephen F. The Elements of Logic. Fifth Edition.
McGraw-Hill, 1989.
- Barker is one of the heavyweight thinkers in formal logic
and his book reads like it. For the rest of us, that means: dense
and unenlightening. The book covers categorical syllogisms, truth
functions, quantification, fallacies, and inductive reasoning.
- Boolos, George., and Jeffrey, Richard. Computability andLogic.
Second Edition. Cambridge University Press, 1980.
- A fascinating look at the overlap between computation and
logic. Heavy going; it begins with Turing Machines, ponders undecidability,
indefinability and incompleteness, and ends with Ramsey's theorems.
People who like heavy symbolism will love this book. People who
think it's all squiggles will hate it. Recommended.
- Bergmann, Merrie, James Moor, and Jack Nelson. The LogicBook.
Second Edition. McGraw-Hill, 1990.
- This is the introduction to formal logic. Covers syntax
and semantics in propositional and predicate calculus. Introduces
the concepts of completeness and decidability. The second edition
was the first new edition in ten years, which speaks well for
its stability. Recommended.
- Cohen, Morris, and Nagel, Ernest. An Introduction to Logic.Harcourt,
Brace and World, 1932, 1962.
- A traditional text, this book examines categorical syllogisms
and touches on mathematical systems and probability. In other
words, it's a (very) uneasy blend of classical logic and modern.
Worth a look for its historical value.
- Copi, Irving M. and Cohen, Carl. Introduction to Logic.Eighth
Edition. Macmillan, 1990.
- For many years, Copi was the standard introductory
text, and this edition continues the trend. Covers propositional
logic, categorical syllogisms, and informal fallacies. A new edition
appears every few years, which is hell on used book stores. Copi
is the master of the circle-and-arrow argument diagrams (which
never really worked, in my view). Better introductory texts have
appeared in recent years.
- Gianelli, A.P. Meaningful Logic. Bruce PublishingCompany,
1962.
- This is a classical logic text with numbered paragraphs and
a focus on the universal and the particular. All this sounds bad
but the author is an engaging and ernest writer. This book is
useless to somebody who wants to learn logic, but a treasure to
someone who knows and loves the discipline.
- Gilbart, Helen W. Reading With Confidence. Scott, Foresmanand
Company, 1988.
- This is the sort of stuff that is passing for 'critical thinking'
in education these days. This very basic text begins by looking
at 'controlling ideas', transitions, context, inference, bias
and prejudice. It's a noble objective, but it's fuzzy and in some
places just wrong. Not recommended.
- Haack, Susan. Philosophy of Logics. Cambridge University
Press, 1978.
- This book is serious reading and should not be attempted
without a good grounding in the field. Covers theories of truth,
paradoxes, classical and non-classical logics, problems in modal
logic (including relevance logic), and many-valued logic. Fascinating.
- Huff, Darrell. How to Lie With Statistics. W.W. Norton, 1954.
- I have the 38th printing, which should be an indication of
this slim book's popularity. A classic in the field and a must
read for anybody who reads newspapers or magazines. Although the
examples are seriously dated, the material is not. For some reason,
many of the tricks Huff discusses are not covered in more standard
texts. Recommended.
- Hughes, G.H., and Cresswell, M.J. An Introduction to Modal Logic.
Methuen and Co. Ltd., 1968.
- For many years the standard introduction to modal logic,
this book is a must read for anyone seriously interested in advanced
topics. Covers both propositional and predicate modal logic. It
was my Bible in 1987. Recommended.
- Jason, Gary. Introduction to Logic. Jones and Bartlett,1994.
- A standard introductory text, this book covers informal fallacies
and propositional logic. Instead of describing categorical logic,
it insteads treats the subject (more accurately, in my view) as
a branch of set theory and the logic of properties and relations.
Mill's Methods are relegated to an appendix; now that hurts! Jason
uses squares and circles instead of the usual letters to stand
for propositions in inference rules; this is a tactic which worked
well in my own classes.
- Jager, Ronald. Essays in Logic From Aristotle to Russell.
Prentice-Hall, 1963.
- Contains selections from Aristotle, John Stuart Mill, Lewis
Carroll(!), John Dewey, Bertrand Russell, Henry Veatch and Gilbert
Ryle. This makes it ecclectic, to say the least, but interesting
reading.
- Jeffrey, Richard. Formal Logic: Its Scope and Limits.McGraw-Hill,
1981, 1967.
- A beautiful book and an absolute must for any serious student
of logic or computation. Can be used as an introductory text,
but this use is not recommended. While it focusses entirely on
deductive logic, its crisp definitions and theorems supplement
a traditional (truth table) method of derivation along with truth
trees. Jeffry is particularly strong on completeness and decidibility.
Recommended.
- Johnson, R.H., and Blair, J.A. Logical Self-Defense.McGraw-Hill
Ryerson, 1983, 1977.
- This book focusses almost entirely on informal fallacies
and is intended for an audience that wants to read newspapers
more critically. A noble objective but its limited scope means
that a study of logic is better served by other texts.
- Kahane, Howard. Logic and Philosophy: A Modern Introduction.Wadsworth,
1990.
- A standard introductory text covering propositional and syllogistic
logic, induction and fallacies. Part five is good: discussions
of modal, deontic and epistemic logic along with an introduction
to axiom systems.
- Kelly, David. The Art of Reasoning. W.W. Norton, 1988.
- A very nice blend of formal and informal argument forms.
Covers definition, propositional and predicate logic, and inductive
reasoning. Incorporates a number of effective graphical aids,
especially in the discussion of definition (which preceeds the
discussion of propositions, a welcome change from what has become
standard form of late). Recommended as a good first logic text.
- Mayfield, Marlys. Thinking for Yourself: Developing Critical
Thinking Skills Through Writing. Wadsworth Publishing Company,
1987.
- A very informal text which relies more on contemporary
teaching strategies (such as 'discovery exercises' and memory
maps). A strongly American political view of the world permeates
this work. Not recommended.
- Pospesel, Howard. Introduction to Logic: PropositionalLogic.
Second Edition. Prentice-Hall, 1984.
- An outstanding teaching book illustrated with contemporary
(for 1984) cartoons and lively examples. Uses arrow to represent
the conditional operator instead of the standard horseshoe. Recommended.
- Purtill, Richard L. Logic for Philosophers. Harperand Row,
1971.
- The book is dedicated to Rudolf Carnap, an insignia which
should alert the reader to expect staunch formalism throughout.
Purtill doesn't disappoint. The book covers propositional, syllogistic,
class, and modal logic.
- Putnam, Hilary. Philosophy of Logic. Harper, 1971.
- Heady, engaging, and Putnam at his expository best, this
book is required reading for those interested in some of the issues
beneath the surface of logic, and especially the realism-nominalism
debate. Not for beginners.
- Quine, Willard Van Orman. Methods of Logic. FourthEdition.
Harvard University Press, 1950, 1959.
- An authoritative text. Quine focusses entirely on deductive
forms: truth functional logic and quantification. Quine's unorthodox
symbolism makes this book inappropriate for the novice. Essential
for students for Quine's philosophy.
- Rescher, Nicholas. Introduction to Logic. St. Martin'sPress,
1964.
- Rescher's book forms the foundation for Copi's Introduction
to Logic and hence covers syllogistic forms, informal fallacies,
propositional logic and inductive logic. A useful text for the
novice, but Copi is more up to date. Rescher himself is one of
my favourite authors.
- Salmon, Merrilee. Introduction to Logic and CriticalThinking.
Harcourt Brace Jovanovich, 1984.
- Quickly covers deductive forms, but the bulk of the book
is devoted to inductive argument, conditionals, confirmation of
hypotheses, and arguments based on relations. Thus it has a lot
of material not covered by other texts, but is not for the beginner.
- Salmon, Wesley. Logic. Third Edition. Prentice-Hall, 1983.
- Part of the widely popular (and vastly overpriced) Foundations
of Philosophy Series, this slim volume covers basic deduction,
induction, and some issues in logic and language. This is not
a teaching text, as there are no exercises. Actually, it's hard
to say why it was written, except perhaps to round out the series.
Wesley Salmon is authoritative; this book is not.
- Schagrin, Morton L. The Language of Logic: A Programmed Text.
Random House, 1968.
- This is a good idea which didn't really work. The reader
works through a series of 'frames' and goes to different frames
depending on how they answer questions. A lot like hypertext,
only slower. The book should never have been printed in Helvetica.
- Sellars, Roy Wood. The Essentials of Logic. Revised Edition.
The Riverside Press, 1925.
- This transitional text resembles eighteenth century works
but attempts to come to grips with the formal and mathematical
nature of logic newly discovered in the late nineteenth and early
twentieth centuries. For students of the history of logic only.
- Skyrms, Brian. Choice and Chance: An Introduction toInductive
Logic. Dickenson, 1966.
- A nice compact treatment of the major problems in inductive
logic. Includes a lengthy (though dated) treatment of the traditional
problem of induction along with and Goodman's new problem.
- Stephens, William N. Hypotheses and Evidence. ThomasY. Crowell,
1968.
- As the title indicates, this text focusses on induction,
causality, hypotheses, theories and evidence. Unfortunately, it
came out before a lot of the recent and important work in the
area and so is of historical interest only.
- Thomason, Richmond. Symbolic Logic: An Introduction.Collier-Macmillan,
1970.
- Required reading for any student of philosophy, mathematics
or the harder sciences. Reads more easily than The Logic Book
and provides a thorough introduction to the semantics, in addition
to the syntax, of standard argument forms. Additonally, Thomason
covers identity, set theory and mathematical induction. Not for
the beginner.
- Weston, Anthony. A Rulebook for Arguments. Hackett, 1987.
- This slim volume (93 pages) serves as an excellent introduction
for novices. The text surveys commonly used argument forms: arguments
by example, arguments by analogy, etc. and shows the reader how
to use proper argument form in essays. Recommended.
- Yanal, Robert J. Basic Logic. West Publishing Company, 1988.
- Exactly as the title suggests. Uses a version of Copi's circle-and-arrow
diagrams (but instead of using numbers, he uses phrases - a big
improvement). Covers arguments, deductive logic and inductive
logic. Ho hum.
Direitos Autorais
Lista
O Guia das Falácias deve ser referenciado da seguinte maneira:
Stephen Downes. Guia das Falácias Lógicas do Stephen, Brandon,
Manitoba, Canada, 1995-1998. http://www.str.com.br/Scientia/falacias2.htm,
original em http://www.assiniboinec.mb.ca/user/downes/fallacy.
Reprodução
O copyright da versão original é de Stephen Downes.
- Guia das Falácias Lógicas do Stephen (daqui em diante citado como
"o Guia") é copyright de Stephen Downes, Brandon, Manitoba, Canada.
- Qualquer pessoa pode reproduzir este Guia, na íntegra ou parcialmente,
para qualquer propósito, contanto que as seguintes condições sejam
atendidas:
- Que o autor, Stephen Downes (downes@assiniboinec.mb.ca)
seja notificado por email ou por carta.
- Que nenhuma quantia seja cobrada para acessar o conteúdo deste
site. Quantias podem ser cobradas para:
- custos de reprodução, se o Guia for impresso e distribuído
em papel
- custos com aulas, se o Guia for usado como material suplementar
ou fonte num curso
- Esta informação de direitos de cópia constará em todas as publicações
deste Guia.
- Nota: o propósito deste copyright não é o de restringir o uso ou
o acesso a este Guia. O objetivo é o oposto: o propósito deste copyright
é o de assegurar que o conteúdo deste guia será livremente acessível
e para sempre.
Links
O endereço deste site é:
Versão compilada: http://www.str.com.br/English/Scientia/fallacies2.htm
Versão original: http://www.assiniboinec.mb.ca/user/downes/fallacy
Permissão garantida para:
- Linkar este site em outro site
- Listar este site em índices de sites online e offline.
Uma notificação por email do link é bem-vinda, mas não é necessária.
Espelhos
Permissão é garantia daqui em diante para espelhar este site, tanto
em inglês quanto em idiomas traduzidos, sujeita às provisões listadas
no item 'Reprodução' acima.