1964: A CIA E A Técnica Do Golpe De Estado
Revista: Espaço
Acadêmico
Autor : Luiz Alberto Moniz Bandeira
Data : 03/2004
Fonte : http://www.espacoacademico.com.br/034/34ebandeira.htm
Sobre o autor: Luiz Alberto Moniz Bandeira é doutor em ciência política, professor
titular de História da Política Exterior do Brasil, na Universidade de Brasília
(aposentado), e autor de mais de vinte obras, entre as quais O Governo João
Goulart: As lutas sociais no Brasil (1961-1964), cuja 7ª Edição revista e
ampliada, lançada pela Editora Revan em 2001, Brasil, Argentina e Estados
Unidos: Conflito e integração na América do Sul (Da Tríplice Aliança ao Mercosul),
e De Marti a Fidel: a revolução cubana e a América Latina.
"Friday, April 3, 1964 - 12:06 p.m.
Thomas Mann: I hope you’re as happy about Brazil as I am.
Lyndon B. Johnson: I am.
Thomas Mann: I think that’s the most thing that’s happened in the hemisphere
in three years.
Lyndon B. Johnson: I hope they give us some credit, instead of hell"[1].
Curzio Malaparte, quando escreveu, nos anos 30, Técnica del colpo di Stato,
ressaltou que "il problema della conquista e della difesa dello Stato moderno
non è un problema politico, ma tecnico"[2]. Essa técnica, que se vinha modificando,
no curso dos séculos, paralelamente à transformação da natureza do Estado[3],
desenvolveu-se enormemente e ganhou maior dimensão, ao ser ampla e sistematicamente
utilizada pelos Estados Unidos, como instrumento de política exterior e ingerência
nos assuntos internos de outros países, desde a criação da Central Intelligence
Agency (CIA), em 1947, durante o governo do presidente Harry Truman (1945-1953).
"We must learn to subvert, sabotage and destroy our enemies by more clear,
more sophiticated and more effective method than those against us" [4] – recomendou
um documento secreto, anexado ao Doolitle Report para a Hoover Commission,
em 1950[5].
A CIA, sucessora do Ofice of Strategic Services (OSS), dedicou-se não apenas
à coleta de dados, mas a vários tipos de operações de guerra psicológica e
paramilitares, conhecidas como PP ou KUKAGE, que jamais deveriam ser a ela
atribuídas ou ao governo dos Estados Unidos e sim a outras pessoas ou organizações[6].
O ex-agente da CIA, Philip Agee reconheceu, em seu livro Inside the Company:
Cia Diary, que essas operações são arriscadas porque quase sempre significam
intervenção, pois visam a influenciar, por meios encobertos, os assuntos internos
de outro país, com o qual os Estados Unidos mantém relações diplomáticas normais,
e a técnica consiste essencialmente na "penetration"[7], buscando aliados
desejosos de colaborar com a CIA. Daí que a regra mais importante na sua execução
é a possibilidade de "plausible denial", i.e., negar convincentemente a responsabilidade
e a cumplicidade dos Estados Unidos com o golpe de Estado, ou outra operação,
uma vez que, se fosse descoberto seu patrocínio, as conseqüências no campo
diplomático seriam graves.
As operações de guerra psicológica implicam propaganda e divulgação, ou seja,
campanha através da media, junto às diversas organizações estudantis, sindicatos,
outros grupos profissionais e culturais, bem como junto aos partidos políticos,
sem que a procedência das informações possa ser atribuída ao governo americano.
Ela é efetivada, muitas vezes, por agentes da CIA, estacionados na Embaixada
Americana como diplomatas, ou homens de negócios, estudantes ou aposentados,
enquanto as operações paramilitares consistem na infiltração em áreas proibidas,
sabotagem, guerra econômica, apoio aéreo e marítimo, financiamentos de candidatos
nas eleições, suborno, assassinatos (executive actions) pela Division D, dentro
do projeto conhecido como ZR/RIFLE[8], treinamento e manutenção de pequenos
exércitos (covert actions) etc[9]. Essas operações tipificam a técnica do
golpe de Estado, que a CIA desenvolveu e aplicou no Brasil e em diversos países
da América Latina, nos anos 60 e 70 do século XX, radicalizando, artificialmente,
as lutas sociais, até ao ponto de provocar o desequilíbrio político e desestabilizar
governos (spoling actions), que não se submetiam às diretrizes estratégicas
dos Estados Unidos. "In some cases, a timely bombing by a station agent, followed
by mass demonstrations and finally by intervention by military in the name
of the restoration of order and national unity – revelou Philp Agee, acrescentando
que as operações políticas da CIA foram responsáveis por coups, que obedeceram
ao mesmo padrão no Irã, em 1953, e no Sudão, em 1958.
Os agentes da CIA e seus mercenários nativos, encarregados de promover "hidden
World War Three"[10], executaram no Brasil, desde 1961, as mais variadas modalidades
de covert action e spoiling action, engravescendo a crise interna e induzindo,
artificialmente, o conflito político à radicalização, muito além dos próprios
impulsos intrínsecos das lutas sociais, das quais a comunidade empresarial
norte-americana participava como significativo segmento de suas classes dominantes.
Àquele tempo, as corporações multinacionais, em busca de fatores mais baratos
de produção, não podiam tolerar nos new industrializing countries nenhum governo
de corte social-democrático, que, sob influência dos sindicatos, favorecesse
a valorização da força de trabalho. E, conquanto o presidente John F. Kennedy
(1961-1963) condenasse, formalmente, os golpes de Estado e privilegiasse a
democracia representativa como forma de evitar revoluções e combater o comunismo,
os Estados Unidos trataram de enfraquecer e derrubar o governo do presidente
João Goulart, não apenas por causa de algumas nacionalizações, mas, sobretudo,
com o objetivo de modificar a política externa do Brasil, que defendia os
princípios de autodeterminação dos povos e se opunha à intervenção armada
em Cuba.
Em 11 de dezembro de 1962, Kennedy reuniu o Comitê Executivo do Conselho de
Segurança Nacional para examinar a "ameaça comunista" no Brasil e a crise
do seu balanço de pagamentos. Ao que tudo indica, naquela oportunidade, decidiu-se
que os Estados Unidos suspenderiam totalmente qualquer financiamento ao Governo
Goulart, nada fazendo, como prorrogação de vencimentos, para aliviar as dificuldades
de suas contas externas, e só destinando recursos aos Estados, depois denominados
"ilhas de sanidade administrativa", cujos governadores eram militantes anticomunistas.
No dia seguinte, ao falar a imprensa, Kennedy referiu-se duramente à situação
do Brasil, declarando que uma inflação de 5% ao mês anulava a ajuda norte-americana
e aumentava a instabilidade política. Segundo ele, uma inflação no ritmo de
50% ao ano não tinha precedentes e os Estados Unidos nada podiam fazer para
beneficiar o povo brasileiro, enquanto a situação monetária e fiscal dentro
do país fosse tão instável. Assim, publicamente, proclamou que o Brasil estava
em bancarrota. E ao receber em audiência, no dia 13, o senador Juscelino Kubitschek,
ex-presidente do Brasil, e Alberto Lleras Camargo, ex-presidente da Colômbia,
prognosticou que, não importando o que os EUA fizessem, a situação do Brasil
devia deteriorar-se[11].
Apesar dos fatores domésticos, que os possibilitaram, os golpes de Estado
nos países da América Latina, após a revolução cubana, constituíram batalhas
da "hidden World War Three". Eles resultaram da mutação da estratégia de segurança
continental, promovida pelo Pentágono, redefinindo as ameaças, com prioridade
para o inimigo interno, e difundindo, através da Junta Interamericana de Defesa,
particularmente, as doutrinas de contra-insurreição e da ação cívica. Quase
todos os golpes de Estado na América Latina, durante os anos 60 e 70, configuraram,
assim, um fenômeno de política internacional continental, mais do que de política
nacional, interna, da Argentina, Peru, Guatemala ou Brasil. Evidenciou-o o
fato de que a intervenção das Forças Armadas no processo político visou, sobretudo,
a alterar diretrizes de política exterior e ditar decisões diplomáticas, conforme
os objetivos estratégicos dos Estados Unidos, e ocorreram, geralmente, contra
os governos que se recusavam a romper relações com Cuba. O que mais afetava,
então os interesses de segurança dos Estados Unidos, no hemisfério, não era
exatamente a luta armada pró-comunista, como as guerrilhas na Venezuela e
na Colômbia, mas sim, o desenvolvimento da própria democracia naqueles países,
onde o recrudescimento das tensões econômicas e dos conflitos sociais aguçava
a consciência nacionalista e os sentimentos anti-norte-americanos passavam
a condicionar o comportamento de seus respectivos governos. Em tais circunstâncias,
conquanto Kennedy adotasse, como um dos pressupostos da Aliança para o Progresso,
o princípio de não reconhecer governos que não obedecessem às normas do regime
democrático-representativo, sua administração foi a que mais incentivou as
Forças Armadas, percebidas como a organização social mais estável e modernizadora,
a participarem da política interna de seus respectivos países, através de
"ações cívicas" e de contra-insurreição. Daí o surto militarista, com a propagação
dos golpes de Estado, que tinham como principal fonte de inspiração a Junta
Interamericana de Defesa. Não sem motivo o embaixador Ilmar Pena Marinho,
chefe da Delegação de Brasil na OEA, manifestou sua preocupação com a possibilidade
de que o Colégio Interamericano de Defesa, criado por pressão dos Estados
Unidos e ao que Goulart se opôs, viesse a transformar-se em uma "academia
de golpes de Estados"[12], onde os estagiários e instrutores norte-americanos,
a influenciar seus colegas latino-americanos, expressavam abertamente opiniões
sobre a necessidade de criar-se um sistema permanente de ação coletiva, capaz
de intervir onde quer que não se pudesse enfrentar, com recursos internos
do próprio país, a ameaça comunista.
A operação para eventualmente intervir no Brasil começou, por volta de 1961.
O Departamento de Estado, naquele ano, começara a solicitar ao Itamaraty vistos
para cidadãos americanos, que entravam no Brasil sob os mais diferentes disfarces
(religiosos, jornalistas, comerciantes, Peace Corps etc.), dirigindo-se a
maioria para as regiões do Nordeste. Em meados de 1962, da tribuna da Câmara
Federal, o deputado José Joffily, do partido Social-Democrático (PSD), denunciou
a "penetration" e, no princípio de 1963, o jornalista José Frejat, através
de O Semanário, revelou que mais de 5.000 militares norte-americanos, "fantasiados
de civis", desenvolviam, no Nordeste, intenso trabalho de espionagem e desagregação
do Brasil, para dividir o território nacional. Se a guerra civil eclodisse,
segundo ele, a esquadra do Caribe estaria pronta para apoiar as atividades
dos supostos civis americanos, com armas e tropas. Comprovadamente, até 1963,
o Itamaraty concedera mais de 4.000 vistos e recebera solicitação para mais
3.000, cujo atendimento os militares nacionalistas brasileiros obstaram. Esse
volumoso número de requerimentos. causara tanta estranheza que levou o Itamaraty,
certa vez, a interpelar o embaixador Gordon. A resposta foi evasiva. Ele declarou
que apenas 2.000 americanos utilizaram efetivamente os vistos, sendo que os
demais ficariam como reservas. Não era verdade. Mentiu. Cerca de 4.968 norte-americanos,
conforme as estatísticas oficiais de desembarque, chegaram ao Brasil, apenas
em 1962, batendo todos os recordes de imigração originária dos EUA e superando
quase todos os números registrados durante os anos da Segunda Guerra Mundial,
quando eles instalaram, oficialmente, bases militares em diversos estados
do Nordeste. Aquele número baixou, em 1963, para 2.463, talvez em virtude
de restrições do Itamaraty, mas, ainda assim, continuou acima da média de
entradas de norte-americanos em todos os anos anteriores e posteriores.
Esses americanos integravam as Special Forces, conhecidas como Green Berets,
criadas para travar guerras de baixa-intensidade (low-intensity wars) e treinar
as forças nos diversos países, onde houvesse essa perspectiva de conflito
armado. E desde meados de 1963, pelo menos, a CIA e o Pentágono começaram
a elaborar vários planos de contingência, denominados Brother Sam, a fim de
intervir militarmente no Brasil, diante da eventualidade de que João Goulart,
como conseqüência da pressão econômica dos Estados Unidos, reagisse e envergasse
para a esquerda, não propriamente comunista e sim sob a forma do autoritarismo
ultranacionalista, algo no modelo de Getúlio Vargas ou Juan D. Perón, conforme
a avaliação da CIA. E até o seu assassinato (executive action) foi planejado.
Em 10 de outubro de 1963, à mesma época em que o Grupo Especial do Conselho
de Segurança Nacional dos Estados Unidos autorizara novas operações de sabotagem
em Cuba, os soldados do 1º Batalhão da Polícia do Exército brasileiro, sob
o comando do Major Ary Abrahão Ellis, vasculharam um sítio em Jacarepaguá
(Rio de Janeiro), perto de uma propriedade de Goulart, e descobriram 10 metralhadoras
Thompson, calibre 45, 20 carregadores, 72 caixas de cartuchos Remington Kleanbore
45, 10 granadas Federal Blast Dispersion Tear Gas (CN) e um rádio transmissor
motorola, marcado com o símbolo do programa Ponto IV (mãos apertadas), da
embaixada dos Estados Unidos(32). O ministro da Justiça, Abelardo Jurema,
declarou que as metralhadoras Thompson entraram clandestinamente no Brasil,
pois nenhuma daquele tipo existia nas suas organizações de polícia nem no
seu Exército, cujos oficiais desconheciam todos aqueles modelos de armamentos,
tão modernos que eram. E as investigações evidenciaram a existência de uma
trama para a eliminação de Goulart e de seus filhos, bem como de muitos políticos
e generais favoráveis ao governo. Não há dúvida de que a CIA estava por trás
do complot.
O golpe de Estado, que derrubou em 1964 o presidente João Goulart, tipificou
o conjunto das operações que a CIA desenvolveu e aprimorou, e com tais procedimentos
ela conseguiu desestabilizar o governo e permitir a sublevação dos militares,
a pretexto de restaurar a ordem e evitar o comunismo. A oposição tinha, decerto,
uma dinâmica interna própria, determinada pelas contradições econômicas e
sociais, que se aguçaram no Brasil. Mas teriam os militares brasileiros, que
conspiravam contra Goulart, desfechado o golpe de estado, para derrubar um
governo legalmente constituído, se não soubessem que contariam com o respaldo
dos EUA? Teriam ousado empreender essa aventura, que poderia deflagrar uma
guerra civil, se não estivessem seguros de que receberiam assistência militar
Washington, sob a forma de gasolina, armas, munições e até mesmo assessores,
se necessário fosse? Seguramente, não. A assertiva do embaixador Lincoln Gordon,
segundo a qual derrubada de Goulart foi realizada pelos militares brasileiros
sem "assistance or advice" dos EUA não corresponde à realidade. Não é consistente
com os fatos. No dia 30 de março de 1964, no momento em que Goulart discursava
para os sargentos no Automóvel Club, o secretário de Estado, Dean Rusk, leu
para o embaixador Lincoln Gordon, pelo telefone, o texto do telegrama n° 1296,
informando-o de que, como os navios, carregados de armas e munições, não podiam
alcançar o Sul do Brasil antes de dez dias, os EUA poderiam enviá-las por
via aérea, se fosse assegurado um campo intermediário em Recife ou em qualquer
outra parte do Nordeste, capaz de operar com grandes transportes a jato, e
manifestou o receio de que Goulart, o deputado Ranieri Mazzilli, os líderes
do Congresso e os chefes militares alcançassem naquelas poucas horas uma acomodação,
fato que seria "deeply embarrassing" para governo norte-americano e "would
leave us branded with an akward attempt at intervention"[13]. No mesmo telegrama,
Dean Rusk forneceu o script da encenação, de forma a disfarçar o golpe de
estado e a intervenção dos EUA, ao recomendar que:
"It is highly desirable, therefore, that if action is taken by the armed forces
such action be preceded or accompanied by a clear demonstration of unconstitutional
actions on the part of Goulart or his colleagues or that legitimacy be confirmed
by acts of the Congress (if it is free to act) or by expressions of the key
governors or by some other means which gives substantial claim to legitimacy"[14].
Era necessário, conforme Dean Rusk enfatizou, que, o golpe de Estado tivesse
uma aparência de legitimidade, de modo que os EUA pudessem fornecer a ajuda
militar aos sediciosos, conforme o embaixador Lincoln Gordon reconheceu em
seu livro Brazil’s – Second Chance – En Route toward the First World[15].
E o senador Auro Moura Andrade cumpriu literal e fielmente o roteiro prescrito.
Declarou a vacância da presidência da República, mesmo sabendo que Goulart
não renunciara e continuava no Brasil, empossou no cargo o deputado Ranieri
Mazzilli, que como presidente do Congresso estava imediatamente na linha de
sucessão. Aí, se resistência houvesse e a guerra civil irrompesse, ele poderia
requerer a assistência dos EUA, com base no Acordo Militar, renovado através
das notas reversais de 28 de janeiro de 1964. Mas não foi necessário. Resistência
não houve. E o embaixador Lincoln Gordon pôde declarar que estava "muito feliz"
com a vitória da sublevação de Minas Gerais, "porque evitou uma coisa muito
desagradável, que seria a necessidade da intervenção militar americana no
Brasil"[16]. E continuou a insistir na "plausible denial", i.e., em negar
convincentemente a responsabilidade e a cumplicidade dos EUA com o golpe de
estado, norma esta pela qual os governos norte-americanos pautaram muitas
vezes suas políticas de intervenção em outros países.
Ao escrever sobre o golpe de Estado, o 18 Brumário de Luís Bonaparte, Karl
Marx comentou, ironicamente, que
"a sociedade é freqüentemente salva todas as vezes que o círculo dos seus
dominadores se restringe e um interesse mais exclusivo se sobrepõe. Qualquer
reivindicação, ainda que da mais elementar reforma financeira burguesa, do
liberalismo mais vulgar, do mais formal republicanismo, da mais trivial democracia,
é ao mesmo tempo castigada como ‘atentado contra a sociedade’ e estigmatizada
como ‘socialismo’. Por fim, os pontífices da ‘religião e da ordem’ são eles
mesmo expelidos a pontapés de suas cadeiras de Pythia[17], arrancados da cama
no meio da noite e da névoa, colocados em camburões, lançados no cárcere ou
enviados para o exílio, seu templo arrasado, sua boca lacrada, suas plumas
partidas, sua lei rasgada, em nome da religião, da propriedade, da família,
da ordem"[18].
Esse trecho de Marx sobre a França de 1848 parece descrever, exatamente, o
que ocorreu no Brasil, durante e logo após o golpe de Estado de 1964. Contudo,
embora se recomende, aos governantes, estadistas, povos preferivelmente o
ensinamento através da experiência da história, como Hegel ressaltou, o que
a experiência e a história ensinam é que os povos e governos nunca aprenderam
qualquer coisa da história nem se comportam de acordo com suas lições[19].
Daí a necessidade de recordar sempre o passado, que continua modelando o presente,
e a importância de obra como esta, organizada brilhantemente por Túlio Velho
Barreto para a Fundação Joaquim Nabuco publicar no transcurso do 40° do golpe
de Estado, que ocorreu em 1° de abril 1964 e, em homenagem ao Dia da Mentira,
logo se denominou Revolução Redentora, antecipando a data para 31 de março,
ao mesmo tempo em que, a pretexto de defender a democracia, destruía a democracia
e implantava uma ditadura militar.
[1] O diálogo foi extraído das gravações publicadas por Beschloss, Michael
(edit). Taking Charge: the Johnson White House Tapes, 1963-1964. New York:
Simon & Schuster, 1997, p. 306.
[2] MALAPARTE, Curzio. Tecnica del colpo di Stato. Roma: Oscar Mondadori,
2002, p. 31.
[3] Id, ibid., p. 47.
[4] Apud JOHNSON, Loch K. Secret agencies: U.S. intelligence in a Hostile
World. New Haven-London: Yale University Press, 1996, p. 60.
[5] A Commission on Organization of the Executive Branch, do governo americano
foi estabelecida pela P.L. 80-162 de 27 de julho de 1947, sob a presidência
de Herbert e criou uma Task Force on National Security Organization, dirigida
por Ferdinand Eberstadt, que esboçara o projeto do Security Act of 1947. U.S.
War Dept. Board on Officer-Enlisted Man Relationships. The Doolittle Report:
The Report of the Secretary of War's Board on Officer-Enlisted Man Relationships.
27 May 1946.
[6] AGEE, Philip. Inside the Company: Cia Diary. London: Allen Lane, 1975,
pp. 69-70.
[7] MARCHETTI, Victor & MARKS, John D. The CIA and the Cult of Intelligence.
New York: Alfred A. Knopf, 1974, pp. 36-37.
[8] BAMFORD, James. Body of Secrets:Anatomy of the Ultra-Secret National Security
Agency. New York: Anchor Book, 2002, p. 479.
[9] Id., ibid., pp. 69-72.
[10] JOHNSON, Loch K. Secret agencies: U.S. intelligence in a Hostile World.
New Haven-London: Yale University Press, 1996, p. 38.
[11] KENNEDY, John F. Public papers. Washington, DC: Government Printing Office,
1962, p. 871. O Estado de São Paulo, São Paulo, 13.2.1962. Diário de Notícias
, Rio de Janeiro, 14.2.1962.
[12] Telegrama nº 303, confidencial, da Delegação do Brasil junto à OEA, a)
embaixador Ilmar Pena Marinho, Washington, 25/25.06.1962, AHMRE-B, Junta Interamericana
de Defesa, América, 1961/65.
[13] Text of State Department telegram 1296 to American Embassy, Rio de Janeiro,
dated March 30, 1964, 9:52 p.m. (Washington time), in GORDON, Lincoln. Brazil’s
Second Chance: En route toward the First World. Washington: Brook Institution
Press , pp. 68-70.
[14] Id., ibid., p. 69.
[15] "Rusk continued by reading a long draft telegram to me, noteworthy for
ist emphasis on the need of legitimacy in any anti-Goulart movement to wich
we might provide military support". Id., ibid., p. 68.
[16] "As confissões de Lacerda," in Jornal da Tarde, São Paulo, 6-6-1977,
p. 20.
[17] Pythia foi a sacerdotisa de Apolo d oráculo em Delphi. O nome deriva-se
de Python, o dragão que Apolo matou.
[18] "Die Gesellschaft wird ebenso oft gerettet, als sich der Kreis ihrer
Herrscher verengt, als ein exklusiveres Interesse dem weiteren gegenüber behauptet
wird. Jede Forderung der einfachsten bürgerlichen Finanzreform, des ordinärsten
Liberalismus, des formalsten Republikanertums, der plattesten Demokratie,
wird gleichzeitig als ‚Attentat auf die Gesellschaft’ bestraft und als Sozialismus’
gebrandmarkt. Und schließlich werden de Hohenpriester der Religion und Ordnung’
selbst mit Fußtritten von ihren Pyathiastühlen verjagt, bei Nacht und Nebel
ais ihren Betten geholt, in Zellenwagen gesteckt, in Kerker geworfen oder
ins Exil geschickt, ihr Tempel wird der Erde gleichgemacht, ihr Mund wird
versiegelt, ihre Feder zerbrochen, ihr Gesetz zerrissen, im Namen der Religion,
des Eigentums, der Familie, der Ordnung". MARX, Karl – Der achtzehnte Brumaire
des Louis Bonaparte, in MARX, Karl – ENGELS, Friedrich – Werke, Band 8, Berlin,
Dietz Verlag, 1982, p. 123.
[19] "Man verweist Regenten, Staatsmänner, Völker vornehmlich an die Belehrung
durch die Erfahrung der Geschichte. Was die Erfahrung aber und die Geschichte
lehren, ist dies, dass Völker und Regierungen niemals etwas aus der Geschichte
gelernt und nach Lehren, die aus derselben zu ziehen gewesen wären, gehandelt
haben". HEGEL, G. W. F. – Vorlesungen über die Philosophie der Weltgeschichte,
Band 1 (Die Vernunft in der Geschichte), Hamburg, Felix Mainer Verlag, 1994,
p. 19.