************************************ ********** Teoria Crítica ********** ************************************ GEUSS, R. Teoria Crítica: Habermas e a Escola da Frankfurt. Campinas: Papirus, 1988. Data : 15/03/2007 a 20/03/2007 Versão : 04/07/2007 Professor: José Luiz Aidar Prado Autor : Leandro Salvador ( leandrosalvador.com.br ) Capítulo III - Teoria Crítica - 1. Estrutura Cognitiva - 2. Confirmação - 3. Epistemologia ------------------- Estrutura Cognitiva ------------------- * Teorias Científicas x Teorias Críticas - 3 diferenças - 1. propósito ou fim - teorias científicas - manipulação satisfatória do mundo exterior - "uso instrumental" - competir eficazmente - perseguir os fins escolhidos - teorias críticas - emancipação e esclarecimento - tornar os agentes cientes de coerções ocultas - liberdade - determinar onde se encontram seus verdadeiros interesses - 2. estrutura "lógica" ou "cognitiva" - teorias científicas - "objetificantes" - distinção clara entre - teoria - "objetos" (a que a teoria se refere) - teoria não é em si parte do objeto-domínio que ela descreve - devem ser empiricamente exatas e confirmadas pela observação e pelo experimento (p. 131) - teorias críticas - "reflexivas" e "auto-referentes" - teoria é sempre em parte a respeito dela própria - teoria é ela própria uma parte do objeto-domínio que ela descreve - devem ser empiricamente precisas e seus "objetos" (os agentes a quem se destinam) concordarem livremente com elas (p. 131) - 3. modo de confirmação para determinar se são cognitivamente aceitáveis - teorias científicas - confirmação empírica através de - observação - experimento - a questão de se os "objetos da teoria/pesquisa" (planetas, genes, partículas microscópicas) concordarão ou não livremente com a teoria nem mesmo aparece (p. 132) - teorias críticas - processo mais complicado de avaliação - demonstração de que elas são "reflexivamente aceitáveis - os "objetos" (agentes) precisam (p. 132) - confirmar a descrição da situaçao objetiva - através de meios normais de observação - concordar com as opiniões sobre liberdade e coerção expressos na teoria * Teoria Social - estrutura cognitiva reflexiva - pré-requisitos - abordar explicitamente seu próprio "contexto de aplicação" - Teoria Marxista - considera tanto - instituições sociais e econômicas "objetivas" da sociedade - principais tipos de convicções que os agentes na sociedade conservam - características - passado --> aborda sua própria gênese e origem - futuro --> "antecipa" seu próprio uso ou aplicação pelos membros da sociedade - prevê que será utilizada por membros da sociedade (o proletariado) para realizar certas mudanças sociais * Antecipar x Prever (Habermas) - antecipar - demanda - exigência - "Forderung" (alemão) - prever - previsão - teoria crítica - não prevê transformações - exige! - "a partir do fato de que seria racional aos agentes na sociedade adotar a teoria crítica, não se segue que se possa prever que eles irão adotá-la" - interesse - informa sobre como seria racional aos agentes agirem se eles tivessem certos interesses - informa sobre que interesses lhes é racional ter - teoria científica - não "antecipam" seu próprio uso - transformáveis em tecnologias que podem torná-las guias para a ação humana eficaz - tecnologia - adoção --> condicionalmente racional - fornece meios para realizar-se coisas específicas - interesse - passa a ser racional para mim fazer uso da tecnologia - não há garantia que eu deva ter esse interesse ou que esse seja um interesse racional para eu ter * Teoria Crítica - objetivo - ser autoconsciência de um processo satisfatório de esclarecimento e emancipação - esclarecer e emancipar os agentes (aqueles que agem) - levar os agentes à auto-reflexão - ==> perceber que sua forma de consciência é ideologicamente falsa - ==> perceber que a coerção que sofrem é auto-imposta - emancipação e esclarecimento - transição social - de um estado inicial - para um estado final - estado inicial - apresenta tanta falsa consciência e erro - quanto "existência sem liberdade" - agentes só podem ser libertos de uma situação - se eles também forem ao mesmo tempo libertos da outra - "inexistência sem liberdade" - forma de coerção auto-imposta - falsa consciência = auto-ilusão - coerção - deriva apenas do fato de que os agentes não percebem que é auto-imposta - estado final - agentes estão livres de - falsa consciência - eles foram esclarecidos - coerção auto-imposta - eles foram emancipados * Instituições Sociais Básicas - mecanismos institucionais - atingir decisões sobre ações coletivas - aceitação de decisões sociais que frustram claramente seus desejos e preferências imediatos e percebidos - através da crença dos agentes em sua legitimidade - decisões individuais legítimas - pré-requisitos (para serem acreditadas como legítimas) - decisões - formalmente ou processualmente corretas - instituições atuaram costumeiramente - segundo regras de procedimento admitidas - instituições - são legítimas - instituições muito coercitivas - ==> estrutura de comunicação na sociedade se torna "distorcida" - ==> figuração de mundo pode nunca se apresentar à livre discussão - ==> imunidade à crítica - ==> agentes sofrem de falsa consciência - ==> sua figuração de mundo é ideologicamente falsa - ==> sua "existência" é sem "liberdade" - ==> suas instituições sociais básicas são extremamente coercitivas - "pelo simples fato de agirem de uma maneira aparentemente 'livre' de acordo com os ditames de sua figuração de mundo, os agentes reproduzem relações de coerção" * Auto-Reflexão (Habermas) - dissolve - objetividade auto-gerada - ilusão objetiva - torna o sujeito cônscio de sua própria gênese ou origem - opera ao trazer à consciência os determinantes inconscientes da ação ou da consciência * Ideologiekritik - convicção "reflexivamente inaceitável" - para --> um grupo de agentes - se --> agentes abandonarem a convicção - caso --> agentes pudessem refletir sobre a convicção à luz da informação sobre as condições nas quais eles a pudessem ter adquirido - convicção legitimadora - para --> um grupo de agentes - se --> agentes pudessem adquirir a convicção através de uma discussão livre e sem coerção com a participação de todos os membros da sociedade - status quo - os agentes continuam a conservar suas figurações de mundo - porque suas instituições sociais coercitivas sempre os impede de submeter sua figuração de mundo à livre discussão - Ideologiekritik - mostra aos agentes que tal figuração de mundo é falsa consciência - mostra que a figuração é para os agentes reflexivamente inaceitável - revela aos agentes que só a poderiam ter adquirido sob condições de coerção - "quanto mais profundamente instalada é a falsa consciência dos agentes, tanto mais precisam eles de emancipação, mas o mais provável também é que seus princípios epistêmicos serão parte de seu problema e não parte de uma solução" (p. 106) - "se os proponentes de uma teoria crítica desejam esclarecer e emancipar um grupo de agentes, eles devem encontrar na experiência, forma de consciência e convicções desses agentes os meios de emancipação e esclarecimento" * Situação Ideal de Fala (Habermas) - agentes concordam - "convicções verdadeiras" - "preferências racionais" - "interesses reais" - agentes livres - quando sua situação real satisfaz as condições de "situação ideal de fala" - aceitabilidade pelos agentes - critério de verdade --> para proposições - aceitabilidade "moral" --> para normas * Estágios Históricos (Habermas) - arcaico - agentes utilizam --> mitos particulares - finalidade --> fazer uma abordagem narrativa de seu mundo e instituições sociais - "tradicional" - agentes utilizam --> figurações de mundo míticas unificadas, religiosas ou metafísicas, ou opiniões sobre a realidade como um todo - finalidade --> legitimar suas instituições sociais - figurações de mundo - não são apenas seqüências de narrativas - são "estruturadas argumentativamente" - não são nunca postas em dúvida - nunca têm que provar sua validade como fontes de legitimação - "moderno" - agentes utilizam --> "ideologias no sentido estrito" - ideologias - se reivindicam "científicas" - capazes de - uma abordagem argumentativa completa sobre si mesmas - e de legitimar a ordem social - recorrendo a - normas e princípios universais - interesses universalizáveis - interpretações de "vida boa" - normas (pretensamente) "pós-ideológicas" de legitimação social - afirmam justificar a ordem social - por referência exclusiva à sua eficiência técnica - e que rejeita como "ideológico" (no sentido pejorativo) qualquer apelo a - princípios morais - normas - ideais da "vida boa" * Ideologia (Habermas) - falsa consciência - falsidade --> "inaceitabilidade reflexiva" - forma de consciência ideológica - causa - promove falsa legitimação - faz os agentes aceitarem como legítimo o que - se eles estivessem perfeitamente livres e completamente informados - eles não aceitariam como legítimo - conseqüência - legitima a Herrschaft (repressão excedente) - aceita desigualdade desnecessária * Figuração de Mundo Ideológica (Habermas) - é "ilusão objetiva" - alega falsamente ser a figuração de mundo que agentes completamente racionais achar-se-iam compelidos a adotar - pela "força do melhor argumento" - mas "a compulsão peculiar do melhor argumento" pode ser descrito como um tipo de coerção * Objetivos da Teoria Crítica - induzir auto-reflexão nos agentes - fazer agentes perceber que a coerção sob a qual padecem é auto-imposta - advertir os agentes sobre determinantes inconscientes de sua consciência e comportamento - mostrar que no estado inicial - os agentes pensam falsamente que estão agindo de maneira livre - ao aceitar a figuração de mundo - e agir de acordo com ela - revelar que as instituições sociais coercitivas - distorcem a estrutura de comunicação na sociedade - "determinam" aos agentes se agarrarem à sua figuração de mundo ideológica - dissolver o "poder" ou "objetividade" daquela coerção - "no estado inicial seus anseios e desejos eram seriamente frustrados por uma instituição social que eles se julgavam interessados em manter" - "a reflexão lhes mostra que isso é um engano e que eles efetivamente têm um interesse real em abolir a instituição social em questão, a qual não apenas frustra anseios e preferências legítimos, mas evita a livre comunicação e discussão" (p. 120) - "a deslegitimação da opressão pode ser uma pré-condição necessária da ação polítia que poderia trazer uma libertação real" (p. 123) - esclarecimento - não emancipa automaticamente - não liberta da coerção externa exercida por instituições sociais - não diminui o sofrimento e a frustração - quando muito, faz brotar a consciência da frustração * Erro De Objetificação - "a sociedade deve ser organizada de maneira tal que se assegure que quase todos os agentes cometam um erro particular de objetificação, porque é necessário para a reprodução social que a maioria dos agentes o cometam" (p. 117) - caso a sociedade queira se reproduzir - é necessário que pelo menos a maioria dos membros pensem que as instituições sociais básicas são legítimas - e isso ocorrerá apenas se a maioria deles aceitar a reivindicação que a figuração de mundo faz por "validade objetiva" - organização social é confundida com um fenômeno natural, ou um fato puramente "objetivo" - não requer ou nem mesmo admite legitimação - instituições sociais repressivas têm sua existência resguardada - não apenas por inércia social - mas porque favorecem e promovem os interesses reais e distintos de algum grupo social particular - esse grupo terá toda razão em resistir à abolição da instituição * Desigualdade na Distribuição de Poder Normativo - ideologia - surge apenas quando a distribuição desigual do excedente deve ser legitimada - significado - mais é distribuído a certo grupo A - que a um outro grupo B - A x B - se instituições sociais distribuem mais poder normativo para A que para B - a A interessa reter o poder normativo que seus membros exercem - a B será "endereçada" a teoria crítica * Ideologiekritik x Psicanálise - ambas são teorias críticas - Psicanálise - repressão neurótica - luta consigo mesmo - dissolução --> reflexão crítica (apenas) - Ideologiekritik - repressão social - luta contra uma realidade externa física ou social - dissolução --> reflexão crítica + longo percurso de ação política = abolição das instituições sociais ----------- Confirmação ----------- * 4 Constituintes Principais de uma Teoria Crítica - transição do estado inicial ao estado final proposto - 1. é "objetivamente" ("teoricamente") possível - dado o nível de desenvolvimento das forças de produção - estado final proposto é possível - ação consciente dos agentes na sociedade à qual a teoria crítida é dirigida - pode ocasionar o estado final - 2. é "praticamente necessário" - estado inicial é um estado de dependência, ilusão e frustração - que satisfaz as condições de aplicação de uma teoria crítica (1 e 2 acima) - estado final proposto é um estado de menos dependência, ilusão e frustração - que o estado inicial - 3. pode ocorrer somente se os agentes destinatários adotarem a teoria crítica como sua "autoconsciência" - e agir de acordo com ela - 4. análise da sociedade efetiva em que vivem os agentes destinatários - mostrando que o presente estado de uma dada sociedade - faz dela uma instância do "estado inicial" que a teoria crítica descreve - relação - 1 e 3 --> descrevem uma transição possível e desejável - 4 --> diagnóstico --> conecta traços reais da vida social dos agentes destinatários com as condições abstratas descritas em 1 e 3 - exemplo: Marxismo - estado inicial --> atual modo de produção capitalista - coerção --> extração da mais-valia - estado final --> sociedade sem classes - agentes destinatários --> membros do proletariado * Teoria Crítica x Utopia - teoria crítica --> tem as partes 1 e 4 - utopia --> não tem as partes 1 e 4 - 1 --> "ciência social empírica" --> é factível, é possível de ser feito - 4 --> descrição dos trabalhos de diversas instituições numa sociedade real * Teoria Crítica x Acaso - teoria crítica --> tem as partes 2 e 4 - 2 --> não pode conter erros fatuais elementares - acaso --> pode conter erros fatuais elementares * Escola de Frankfurt x Marxismo - Marxismo - prognostica como "inevitável" o advento da sociedade de classes - alega proporcionar o "conhecimento da necessidade" de uma transformação da ordem social presente em uma sociedade sem classes - se "necessário" ==> então "inevitável" - fazer previsões categóricas - Escola de Frankfurt - não prognostica como "inevitável" o advento da sociedade de classes - apesar dos agentes terem um interesse prático em ocasionar uma transformação objetivamente possível - não decorre que a transformação seja inevitável - pois depende de outros fatores que a teoria pode não nos permitir prever - depende de um grande número de agentes - achar plausível a teoria crítica - adotá-la - agir efetivamente de acordo com ela - apesar de "necessário" ==> não necessariamente é "inevitável" - esclarecer os agentes * Situação Padrão - agentes ao mesmo tempo - sabem que são frustrados - conhecem a causa institucional de sua frustração - fonte de motivação para agentes adotarem teoria crítica - dor - sofrimento - frustração - pode ser desconhecida - especialmente se a causa for alguma instituição social em larga escala - "propriedade privada" - "Estado" - agentes nesta situação - podem ainda estar ideologicamente iludidos - mas podem ter na dor e no sofrimento - forte motivação para adotar a teoria crítica - neste caso a teoria crítica terá que incluir explicitamente na parte 2 - um argumento designado a indicar aos agentes - qual instituição social ou organização específicas - é a fonte de seu sofrimento - se agentes têm falsa teoria (em vez de nenhuma convicção) - sobre a causa de seu sofrimento - exemplo - pensam que é um castigo de Deus - ou parte de um inevitável sofrimento que é a sina de todos os homens - teoria crítica deve primeiramente desenganá-los dessa falsa teoria - antes de "emancipá-los" - "somente quando os agentes houverem concordado que são infelizes, pode a teoria crítica se por a revelar a fonte do sofrimento deles em instituições sociais que falsamente alegam legitimidade" (p. 135) * Satisfação - hipótese - os agentes na sociedade realmente estão completamente satisfeitos com suas vidas - e não mostram em seu comportamento nenhum sinal de frustração oculta - explicação - instituições sociais podem ser tão fortes e eficientes - que podem impedir completamente que os membros na sociedade - formem, mesmo inconscientemente, desejos que não podem ser satisfeitos na presente estrutura institucional - questão - é este um "estado inicial" de dependência e ilusão do qual os agentes devem ser emancipados? - ilusão ideológica - nem tanto - agentes têm desejos inconscientes, não satisfeitos - são infelizes e frustrados - mas mais - agentes levam vidas frívolas ou sem interesse - têm baixo nível de aspirações - dúvida - se agentes revelam estar satisfeitos com suas vidas - por que julgaríamos "pobres" ou "frívolas" suas vidas? - e que os agentes necessitam de esclarecimento? - conclusão - "tradição cultural" perpetua padrões sobre o que seja a "vida boa" - exemplo - obras de arte - doutrinas religiosas - metafísica - diferentes perspectivas - 1. "as coisas estão horríveis e fomos impedidos de perceber que elas não precisam ser tão horríveis" (p. 137) - 2. "as coisas vão bem, e fomos impedidos de perceber o quão melhor elas poderiam ser" * 4 Estados Iniciais Diferentes (p. 137) - 1. agentes estão sofrendo - e sabem que instituição ou organização social é a causa disso - 2. agentes sabem que estão sofrendo - mas ou não sabem qual é a causa - ou têm uma falsa teoria sobre ela - 3. agentes estão aparentemente contentes - mas uma análise de seu comportamento mostra que eles estão sofrendo uma frustração oculta de que não estão cientes - 4. agentes estão efetivamente contentes - mas unicamente porque foram impedidos de desenvolver certos desejos - que no curso "normal" das coisas eles teriam desenvolvido - e que não podem ser satisfeitos dentro da estrutura da ordem social presente * Escola de Frankfurt - caso 4 - pesadelo que assombra a Escola de Frankfurt - espectro de uma sociedade onde o controle social é tão completo e eficaz - que seus membros podem ser impedidos até mesmo de formar desejos que não possam ser facilmente satisfeitos - uma sociedade de escravos felizes - genuinamente contentes com suas cadeias - caso 3 - teoria crítica deverá aumentar nos agentes - a consciência de sua própria dor, frustração ou infelicidade - ou torná-los insatisfeitos com as limitações de seu presente modo de vida - não seria nenhuma surpresa - encontrar-se resistência entre aqueles a quem se destina a teoria - mais ainda, como em muitos casos os agentes não sofrem apenas de ilusão ideológica - mas estão também sob a influência de diversos "narcóticos" sociais - estão sujeitos à presente sociedade - não apenas por crerem em sua legitimidade - mas também por uma série de "falsos" modos de gratificação - que seriam postos em perigo com a emancipação * Teoria Crítica x Classe Dominante - se membros da classe dominante concordam com a teoria crítica - quem seria, sob a perspectiva deles, emancipado e esclarecido? - seus próprios membros - oprimidos - se a teoria crítica estiver correta - então membros da classe dominante estão sofrendo de uma forma restrita de consciência - afinal eles vivem numa sociedade em que a estrutura de comunicação é distorcida para todo mundo - mas esta restrição não lhes frustra os desejos - pelo contrário --> atua em seu benefício - ilusão ideológica - "funciona em benefício" ou "beneficia"? - membros do grupo dominante - funciona em benefício - significa apenas que "no dado sistema social ora constituído" - é melhor ser um membro do grupo dominante --> ter o máximo de poder normativo possível - que do oprimido - membros do grupo dominante - também podem ser, eles próprios, frustrados em massa - se tivessem livre escolha, poderiam preferir outro sistema social - teoria crítica - deveria emancipar e esclarecer também a classe dominante - classe dominante - deveria reconhecer e concordar - que seus privilégios eram narcóticos - modos de gratificação - máscaras para suas próprias frustrações * Ideologia - sentido positivo - "salvar o conteúdo utópico" da tradição cultural - "separar" os genuínos anseios, valores, necessidades e aspirações subjacentes - de seu modo ideológico de expressão - permitir aos agentes - alcançar uma correta percepção de seus anseios e necessidades - formar opiniões corretas a respeito de seus interesses reais - sentido pejorativo - não é apenas falsa consciência - é "razão" - distorcida - irracional - agentes com forma de consciência ideológica - não são completamente iludidos a respeito de seus anseios, necessidades e interesses - se fossem - estariam fora do alcance da crítica interna - que é o método principal da Ideologiekritik - perfídia da ideologia - colocar desejos e aspirações humanas contra si mesmas - os utiliza para incentivar a repressão ------------- Epistemologia ------------- * Wissenschaft (Habermas) - definição - corpo de proposições sistematicamente interligados - que proporciona orientação confiável - para a ação bem sucedida - e que satisfaz certas condições de "publicidade" e intersubjetividade - deve ser - um caminho possível de ser seguido - claro - "público" - uma confiável orientação para a ação bem-sucedida - não uma caixa preta - não deve ser - ligada à "observação" - que é um tipo de estimulação sensória direta * Teorias Críticas x Teorias Científicas - semelhanças - ambas são formas de conhecimento "empírico" - ambase se baseiam na experiência - e unicamente por ela podem ser confirmadas - diferenças - experiência - teoria científica --> observação - observação - não é independente do objeto ou estado de coisas obsevado - teoria crítica --> observação + reflexão - obsevação - só pode ocorrer quando o objeto ou estado de coisas observado - é independente do ato de observar - não é essencialmente transformado - e não é com certeza criado e trazido à existência - mediante o ato de observar - positivistas (p. 154) - acreditam que - nem as figurações de mundo legitimadoras - nem as teorias críticas - podem ser verdadeiras ou falsas - assim - as figurações de mundo e as teorias críticas - são portanto desprovidas de sentido - e não há qualquer maneira de se decidir racionalmente entre elas - que qualquer escolha é uma mera preferência - teoria crítica - confirmação - exige um processo reflexivo de interpretação - suposição básica - o simples fato de trazer à plena consciência certas atitudes, convicções, padrões de comportamento, etc. - transforma os agentes - finalidade - deve ser conhecimento - deve mostrar que as convicções e atitudes ideológicas são falsas - assim - emancipa - torna aqueles que a adotam capazes de se oporem à pressão do aparelho legitimador da sociedade - "as teorias críticas devem ser 'verdadeiras' porque as ideologias legitimadoras da sociedade se alegam 'verdadeiras'" (p. 153) ----------//----------