********************************************** ********** Comunicologia de Flusser ********** ********************************************** Versão : 04/07/2007 Professor: Norval Baitello Júnior Autor : Leandro Salvador ( leandrosalvador.com.br ) ------ Livros ------ - Norval - How To Talk To Photography - enviar para grupo!!! - Watsuro Tetsuji - filósofo japonês - Antropologia del Paisage - [Elisabet] von Samsonow - Flusser - Filosofia da Fotografia (Alemanha) - Filosofia da Caixa Preta (Brasil) - Entrando no Universo das Imagens Técnicas (Alemanha) - Elogio da Superficialidade (Brasil) - A Escrita (Alemanha) - Da Religiosidade - Günther Anders - Kafka Pró e Contra - Aroldo de Campos - Da Razão Antropofágica - Goethe - Fausto - Norbert Elias - Sobre o Tempo - Berthold Zilly ----- Links ----- - http://www.flusserstudies.net - adbusters.org (dica do Alessandro Padin) - ONG canadense - campanha MTV anti-TV - adbtv - http://www.dubitoergosul.com.br - textos de Gustavo Bernardo - sobre Flusser - http://www.eca.usp.br/filocom/ - textos sobre Günther Anders ----------- Vocabulário ----------- - concordar - dar corda para o outro - risco de ser enforcado - "nasceu do oco da taquara" - mimetizar - falsificar - flusser (alemão) - vem de fluss --> rio - remete a fluxo ---------- 28/02/2007 ---------- * Idéias de Flusser - comunicologia de Flusser - comunicar --> devorar o outro - devorar --> transmutar - sujeito e objeto ---------- 07/03/2007 ---------- * Comentários - críticas - na cultura latina --> são muito mal-vindas - na cultura anglo-saxônica --> críticas não são confundidas com as pessoas - Jean Baudrillard - apocalíptico - crítico feroz - sociedade do consumo - capitalismo - poder - atua nos subterrâneos - quem não transita bem pelos subterrâneos --> tem dificuldades - imagem - pensamento imagético - figurado - metafórico - educação evangélica/judaica - palavra vale + que a imagem - até o Renascimento a função da imagem era o exercício do sagrado - Flusser - contradição - judeu - iconoclasta - imagem x texto - Europa - texto norteia - imagem é usada como suporte para o texto * Flusser Alemão - 2o exílio - funcionalista na aparência - apologia da técnica - alguns filósofos alemães estão reinterpretando obras alemãs de Flusser - esses filósofos têm alguma ligação com Dietmar Kamper - antropofagia - "contaminou" Flusser - metabolizar - digerir - comunicação --> devoração --> metabolização do outro - < devora o > - ponto --> linha --> plano --> volume - vazio --> cheio - Da Religiosidade - desmaterialização do mundo através da abstração - hologramas - maçã x holograma - "você come o holograma (da maçã), eu como a maçã" - mundo das imagens - pode levar a - letargia - comunhão - comunicação - comungar = devorar - Igreja Católica - quando vamos à missa comungar - comemos a óstia - teofagia - concreto x abstrato - poesia --> cria a civilização - poesia concreta --> cria a civilização [da modernidade] - importância do abstrato - oferecer-se para a concretização - abstração - retirada de 1 dimensão do mundo da vida - funcionário --> sujeito ou objeto hipinógenos - imagens em alta velocidade - não nos permite absorvê-las - nos torna imagens - nos torna planos - processo civilizante - origem --> decadente - meta --> progresso - curso --> abstração - se não há comunhão - o vazio perpetua-se - cria-se a dependência do vazio! - nunca houve tanto vazio - nunca houve tanta potencialidade - 3 camadas arcaicas - sonho - atos falhos - nonsense - Raízes da Cultura - sonho - jogo - loucura - estados alterados de consciência ---------- 14/03/2007 ---------- * Funcionário - glossário de Flusser - aparelho --> brinquedo que simula um tipo de pensamento - aparelho fotográfico --> brinquedo que traduz pensamento conceitual em fotografias - brinquedo --> objeto para jogar - fotografia --> imagem tipo folheto produzida e distribuída por aparelho - funcionário --> pessoa que brinca com aparelho e age em função dele - funcionário - etimologicamente - aquele que exerce uma função - apertar parafuso - consertar uma correia - olhar - acionar - historicamente - não é funcionário - trabalhador braçal - funcionário público - "funcionerie" (alemão) - não significa "funcionário público" - significa - estar/existir em função de alguma coisa - funcionário caracteriza modernidade - ferramenta (artesão) - exemplos - tecido - tesoura - agulha - máquina de costura - lápis - artesão - ficava no centro de suas ferramentas! - máquina (operário) - produto da 1a Revolução Industrial - revolucionou a produção de bens de consumo - colocou a produção artesanal numa escala hierárquica inferior - marceneiro - pedreiro - sapeteiro - alfaiate - padeiro - estágio industrial mecanizou determinadas funções - operário - ao contrário do artesão --> que cercava-se de ferramentas - é a máquina que está cercada de operários! - aparelho (funcionário) - exemplos - computador - máquina fotográfica - características - não mais operamos as máquinas - a máquina já tem suas operações programadas - o programa da máquina é muito maior do que nossa capacidade de assimilá-lo - funcionário - está em função do aparelho! - brinquedo / jogo - spielen / spiel (alemão) - representar - brincar - jogar - culturalmente - brinquedo e jogo - remetem a gratuidade - sua função volta-se a si mesmo - Homo Ludens - J. Huizinga - relacionou as idéias - gratuidade x ludismo - gratuidade - voltar a maior parte da energia do processo - para o funcionamento do próprio processo - a maior parte do aparelho volta-se a ele mesmo - lógica do aparelho - por um lado - oferece benefícios - ganho de tempo - por outro lado - nos seduz - consome nosso tempo! - transformação da máquina em aparelho - reduziu seu - alcance - livre-arbítrio - vontade - escolha - iniciativa - decisão * Conceitos - brinquedo que simula um pensamento - brinquedo - está voltado a si mesmo - não visa outra coisa - visa a si mesmo - imagem - é um programa - programa - condensação de um pensamento - pensamento - prospecção - projeção - aparelho - está voltado a si mesmo - projeta a si mesmo lá na frente - portanto o aparelho programa - a si mesmo - e a quem está ao seu redor - antes da 1a Revolução Industrial - programa - artefato lógico - lógica - artifício que surgiu com a escrita - escrita - conexão de conceitos - alfabética - condensa gestos corporais em fonemas - não representa um som - mas sim um gesto corporal - bilabiedade - explosividade - Leberswelt (gesto do corpo) - pluridimensional - pluridirecional - passa por uma etapa intermediária - e chega em uma etapa linear - linha - na escrita o corpo se lineariza - o corpo transforma-se num conceito linear - é uma maneira de o corpo ser concebido linearmente - para chegar na escrita linear - precisamos passar pela escrita pictográfica - exemplo - alfabeto fenício - 1. cabeça de boi com o chifre virada pra cima - 2. "A" ao contrário - 3. letra "A" - sequência - 1. Leberswelt --> gesto do corpo - 2. plano --> imagem - 3. linha --> escrita, encadeamentos - permite pensamento lógico - permite ciência - permite aparelhos - logo --> aparelhos são brinquedos que materializam um pensamento - na forma mais abstrata da linearidade - 4. ponto --> imagem técnica - aparelhos programam todo esse universo de forma lúdica - imagem fotográfica - imagem técnica - coagulação de pontos - imagem televisiva - coagulação de pixels - aparelho - cada vez menores (em tamanho) - cada vez mais tendem ao ponto! - brinquedo - universo da infância - resgate da possibilidade de leituras não lógicas - igual a leitura por saltos - exemplo --> magia - e não a leitura por encadeamentos - exemplo --> leitura alfabética - mundo da linearidade e da lógica - leitura - linear - história - mundo do ponto - resgata a circularidade mágica do mundo do plano - pré-história x pós-história - Leberswelt --> gesto --> pensamento material - mundo da vida - mundo das coisas - viver é pensar - na verdade nem há pensamento - plano --> imagem --> pensamento mágico (/ mítico) - linha --> escrita --> pensamento (mítico /) lógico - sistemas - filosofia - ciência - ponto --> imagem técnica --> pensamento pós-histórico - resgata o pensamento mágico - mágico x mítico - mágico - saltos de sincronização - tudo pode acontecer - mítico - há caminhos lógicos - Tótem e Tabú - Freud - tótem - animal deificado que direciona a ação de um determinado grupo social - nossa vontade - se reduz ao mundo do tótem - daí nascem os tabús - pensamento triádico - pensamento arcaico - trata-se de um sistema filosófico - mesmo que arcaico - há linearidade! - mesmo que seja baseado em magia / imagem - encadeia seqüência lógica ao pensamento mágico - pensamento de Flusser - alegórico * Hipinogenia - conceitualmente - meio sonolento - meio dormindo - meio hipnotizado - tudo no meio do caminho - funcionário - sujeito hipinógeno - diante do aparelho não resta qualquer alternativa - a não ser "brincar" - meio no sonho - meio oniricamente - há uma susceptibilidade humana diante de determinados objetos - relação com os aparelhos - regressiva - nos leva ao nosso passado infantil - nos torna novamente crianças - nos torna primitivos - no sentido da magia - nos torna susceptíveis aos gestos mágicos - nos torna dependentes - nos torna hipinógenos - mídia - hipnotiza - manipula - programa a pessoa - gesto de fotografar - exige abdicação - o melhor fotógrafo - surge quando a criança emergir - porque não perderam a capacidade de brincar - atividade que se volta à própria atividade - sonho - é mais do que um estado hipinógeno - já é um estado hipinótico - lógica da máquina - homem sonhou a máquina - máquina - era imperfeita - sonhou Deus - não percebeu suas imperfeições - continuou achando que é Deus - na tarefa específica que a máquina executa - ela é imbatível - naquele momento a máquina é Deus - máquina como autoridade - relação de totemização - objeto escolhido para ser programador de toda uma comunidade - relação regressiva - transferimos as escolhas para o tótem - relação mágica - transferência de escolhas para - outras instâncias - objetos mágicos - jogos - desejo x sonho - consumo - Flusser --> sonho - Marx --> desejo - Marxistas x Flusser - para Flusser o consumo é um vínculo profundo, no nível do sonho / magia - para Marx o consumo é um vínculo superficial, no nível do desejo - por isso os marxistas odiavam o Flusser - hipinogenia ([Elisabet] von Samsonow) - do sujeito - abdicação da vontade - exemplo - carro - para utilizarmos o carro abrimos mão de algumas escolhas - do objeto - captura pelo outro - é uma captura pelo medo ---------- 21/03/2007 ---------- * Amor x Ódio - ser humano lida com processos complexos - antes de serem sociais - são corporais - compreender comunicação exige um - olhar pela cultura - nós somos seres "porosos" (Abraham Moles) - portanto somos susceptíveis a todas as nossas criações - o homem cria - e a sua criação tem poder sobre ele próprio - em outras palavras - o homem cria deuses - que criam o homem - objetos da comunicação - são passíveis de leituras múltiplas - acesso à comunicação - registros da cultura - registros do comportamento - psicologia - biologia - comunicação: informação x vínculo - não é informação - não é troca - é vínculo - é de natureza afetiva - afeto = troca - é amor - nasce no corpo - meios de comunicação - não informam - vinculam! - amor e ódio - são duas faces da mesma moeda! * Etologia - é um ramo da biologia - é a ciência que estuda o comportamento do animal - surgiu em meados do século XX - sistematizado por - Konrad Lorenz - Nikko Tinbergen - vai ao contrário da frase que diz que - "o homem é o único animal que se comunica" - atualmente percebe-se que - os humanos são muito mais animais do que se gostaria - os animais são muito mais humanos do que se gostaria - descobre como os animais se comunicam - expandiu seu objeto de estudo para comunicação comparada - entre animal e humano - curiosidade - "comunicação comparada" nas atuais faculdades de jornalismo - tratam este assunto como a comparação entre diferentes veículos de comunicação!!! - e não entre diferentes animais - etologia comparada - traça paralelos entre características arcaicas entre diferentes animais * Irineu Eibl-Eibesfeldt - forjador da "etologia comparada" - livros - Tratado de Ciência do Comportamento Comparada - Amor e Ódio - mostra que os seres humanos são programados para se vincularem - com animais da mesma espécie - na falta disto - nos apegamos a objetos e outras "coisas" - essa propensão ao vínculo - vem da nossa fragilidade enquanto seres individuais - que, por sua vez, constituem comunidades - comunidades - são o ambiente para a comunicação - objetivo da comunicação - não é a informação - mas sim a vinculação - a outros seres - unidade mínima do vínculo - entre máquinas - bits e bytes - portanto é um impulso elétrico - acabou o impulso --> acabou a conexão - máquinas lidam com conexões - mas não com comunicações! - entre seres humanos - não é a informação - é o vínculo!!! - mecanismos de vinculação - atração sexual - busca por proteção - oferta de proteção - medo - cenas chocantes - colocam à prova nossa capacidade/propensão de nos vincularmos - constituição de vínculo - é uma atitude corporal - é o corpo que se oferece para estar ali com o outro - exemplos - aperto de mão - aceno - balançar a cabeça - olhar fixo - afastamento de tórax - beijo - sombrancelha(s) - órgão de vínculo à distância - + sensível - + eficaz - sorriso - importante desarmador de resistências e de medo * I. F. Harlow - fala da 1a família de vínculo - sistema afetivo - matéria-prima de um vínculo - afeto - "amor" - exemplo amor materno - emana da mãe para o filho - caminho traçado - não foi pela - biologia - psicologia - mas sim pela - cultura * Comentários Norval - língua "indo-europeu" - raiz de outras línguas - grego - latim - antigo germânico - celta - línguas eslavas - sânscrito - persa - saxão - língua "semítica" - raiz de outras línguas - hebraico - árabe - ser devorado - faz parte do jogo da sociabilidade - nós queremos pertencer a uma comunidade - ou seja, queremos fazer parte de um projeto - quem acessa muitas fontes de informação está - bem informado x bem "enformado"? - neurologia - salto "mortal" --> neurologia para arte - outro salto --> fisiologia para cultura! - ciência da comunicação - é ciência humana - nem ciência exata - nem ciência social - tabela CAPES - separa as ciências em 3! - exatas - humanas - biológicas - mas uma ciência humana não é biológica, e vice-versa? - comunicação - é um processo vivo, corpóreo - e não um processo abstrato - imagem - é metáfora! - não encadeamentos lógicos - leituras superficiais - funcionalizadas! * Flusser - língua - não reflete realidade - mas faz realidade! - ciências arqueológicas - são necessárias para nos compreendermos atualmente - etimologia - ciência arqueológica - ciência do lixo - funcionalismo - Flusser escreveu sobre as máquinas - telemática - comunicologia - sem ser funcionalista! - "Ame Teu Outro Como a Ti Mesmo" - texto publicado na revista Shallon - 1982 - 2 páginas - esta expressão resume toda a idéia do judaísmo - outro - inimigo - o inteiramente diferente - antigo testamento - substitui "outro" por "próximo" - substitui a relação de "alteridade" pela de "proximidade"! - é mais fácil lidar com aquele que está próximo do que com aquele que está longe! - religiões pagãs e pré-religiões - presença constante de animais e plantas - relação amorosa entre homem e Deus - é imediata - ou mediata! - e não pode ser mediatizada - ou seja, tem que ser direta! - antropofagia - problema de devorar o outro - o Deus - problema do entusiasmo - entusiasmo --> significa "estar imbuído de Deus" - tem 2 horizontes - devorador - como posso incorporar o outro sem deixar de ser eu? - devorado - como posso tornar-me homem sem deixar de ser Deus? - vínculo - se dá concretamente pela devoração do outro! - não separa sujeito (d)e objeto - não separa emissor e receptor - é gerado pela falta - o outro - é o objeto no qual eu me torno sujeito - projeto-me no outro - devorar o outro - significa incorporar o outro - sem deixar de ser si mesmo - todo vínculo é uma devoração! - portanto todo vínculo é uma fagia! - a antropofagia é uma figura metafórica - mas no homem (antro) há devoração de fato! - amamentação - construir vínculo - é construir pertencimento - pertencimento x participação - pertencimento --> abstrato - participação --> corpóreo - pertencimento - é uma questão de sobrevivência - estar numa comunidade - proteção - estar no meio do bando - "A Pele" - texto dedicado para Dora - Dora Ferreira da Silva - viúva de Ferreira Vicente da Silva - filósofo do Instituto Brasileiro de Filosofia (IBF) * Vicente Ferreira da Silva - era um inseminador de novas idéias, debates e polêmicas - estudou com [Heiddeger] na Alemanha - sólida formação filosófica - da França - não da Alemanha - Da Religiosidade - p. 128 - São Paulo - lugar de referência para a ocidentação - projeto do Ocidente - gerar feiúra - ódio - restringir o âmbito do objeto odiado - assim, o outro se torna objeto - se tornar objeto = ter uma função = funcionalizar! - vínculo do ódio é também um vínculo - é amor negativo - odiar alguém é não se esquecer deste alguém! - alimentar ódio = alimentar vínculo! - objetos odiados - transformados em instrumentos - o mundo é o outro - o mundo é odiado! - quando humanizamos o mundo - projetamos a nossa própria sombra no mundo ---------- 28/03/2007 ---------- * - Milton Vargas - influenciou Flusser no interesse deste pela "técnica" - Alex Bloch - trocou muitas cartas com Flusser - Bloch era especialista em - cimento - especulação na Bolsa - porteiro no bairro da "Luz Vermelha" - originário de Praga - assim como Flusser - Bloch no Brasil - trabalhou como livreiro - foi uma "fonte" de livros para Flusser - Flusser leu os seguintes autores - Meister Eckhart - Meister (alemão) = Mestre (português) - Angelus Silesius - budismo - Silvia Wagner Meier - autora do livro "Absolut" - sobre Vilém Flusser - comenta sobre as cartas trocadas entre Flusser e Alex Bloch - evolução tecnológica - instrumentos - máquinas - aparelhos - espacialidade - é a 1a diferenciação entre os instrumentos, máquinas e aparelhos - é a nossa relação com nosso entorno - exemplos de relações com o entorno - medidas de segurança pessoal - onde comprar as coisas - conhecer características do local - nossa relação com o entorno - é conflitiva - exemplos de relações que não são espaciais - relação entre o contribuinte e a Receita Federal - o contribuinte "não tem direito a espaço" - é apenas um número - acorpóreo - relação entre clientes bancários e os Bancos - agências são planejadas para não terem mais corpos - filas - não são boas pro Banco - o "ideal" pro Banco - é que o cliente tenha "conta" - e não "corpo" - paradoxo - indivíduos corporais x indivíduos acorporais - bem visível na passagem do "instrumento" para o "aparelho" - Flusser trabalha com categorias corpóreas - Harry Pross - Estructura Simbólica del Poder - fala das experiências pré-predicativas - são aquelas que acontecem antes do indivíduo predicar alguma coisa - antes de germinar a percepção de espaço e tempo - aproximação entre Flusser e Pross - ocorre entre Kant e Ernst Cassier - Ernst Cassier - é neo-Kantiano - Günther Anders - livro --> Kafka Pró e Contra - faz diagnósticos duros! - obras - http://www.eca.usp.br/filocom/ - correspondeu-se com o piloto que jogou a bomba de Hiroshima - livro --> Mais Além que os Limites da Consciência (em espanhol) - comunicação --> é conquista do espaço - vínculo - é construção de - afeto - no sentido de qualidade do vínculo - não no sentido "carinhoso" - espaço comum - ambiência - por este princípio, Comunicação - poderia estar em Ciências Ambientais (tabela CAPES) - e não em Ciências Sociais Aplicadas - isto apaga o elemento Cultural da Comunicação - Biológico - Ambiental - Matemático - TV - planta um tipo de ambiência? * Instrumentos - o indivíduo se arma com um instrumento - que está ao seu redor - ele (o indivíduo) é o centro - atende perfeitamente aos conceitos de - prolongamento - amplificação - exemplos - martelo --> punho - alavanca - roldana - caderno --> registro de memória - enxada --> dente - são entidades corpóreas - para lidar com o espaço - potencializam a força do corpo - velocidade - intensidade - precisão - [acüidade] - facilita a apropriação e aproximação - do entorno - trabalho - é causado pela produção e entorno dos instrumentos - seu efeito é chamado de obra - informar e produzir - facão --> produz + do que informa - agulha --> informa + do que produz * Máquinas - reunição e complexificação de instrumentos - requer menor intervenção do corpo do operador - descorporificação do trabalho - quando os instrumentos viraram máquinas - sua relação com os homens se inverteu - Revolução Industrial - antes --> homem era cercado pelos instrumentos - depois --> máquinas eram cercadas pelos homens - mudança espacial - causou degradação espacial - conseqüentemente --> causou degradação corporal - corpo (humano) é funcionalizado - exemplo --> Tempos Modernos, do Chaplin - repetição do trabalho - espaço também é funcionalizado - homem se torna subalterno à máquina - antes --> homem era o centro - depois --> homem serve à máquina - conceito de Massa - Flusser restringe - ao conceito de Máquina - dentro da 1a Revolução Industrial * Aparelhos - são objetos pós-industriais - perguntas Marxistas são industriais - portanto - não são mais competentes à respeito dos aparelhos - sua intenção - não é modificar o mundo - mas sim modificar a vida dos homens - relação espacial - funcionário - penetra o aparelho - está no interior no aparelho - não é nem constante nem variável - mas está amalgamado ao aparelho! - precisa ser programa rico - se fosse pobre o funcionário o esgotaria - deve exceder as funções possíveis de serem conhecidas pelo funcionário - funcionário deve se perder nas funcionalidades do aparelho - programa - deve ser impenetrável pelo funcionário - determinística x probabilístia - determinística - conceito de aparelho - não é meramente técnico - máquina fotográfica --> é apenas uma metáfora utilizada por Flusser! - mas sim, e principalmente, social! - está presente em todos os mecanismos sociais * Diferenciação - instrumento --> indivíduo --> artesão --> artesão cerca-se de instrumentos --> pensamento mítico --> circular - máquina --> massa --> operário --> operário fica em torno da máquina --> pensamento histórico --> linear - aparelho --> "dividuum" --> funcionário --> funcionário penetra o aparelho --> pensamento pós-histórico --> pontual - aprendizagem - artesão - aprendiz vivenciava o ofício com o mestre - depois de alguns anos virafa oficial naquele ofício - e então podia abrir sua própria oficina - e explorar novamente a mão de obra infantil - cultura profundamente visual - não precisava de alfabetização - imagem e "imagem acústica" - ensinamento era de um por um - operário - fábricas produzem os produtos - escolas técnicas ensinam o ofício ao aprendiz - início do processo de alfabetização - precisava-se ensinar "instruções de uso" - pois não havia mais o mestre artesão para ensinar - tinha que ensinar em massa - mudou-se a maneira de perceber as coisas - - Aroldo de Campos - barroco - padres inventaram a "Lanterna Mágica" - fantasmagoria - - eletricidade - foi o embrião da Revolução Industrial - Brasil - surgiu depois do barroco - espacialidade - reflexão de Flusser - não ocorre no sentido geométrico - mas sim no sentido antropológico - animais deixam sua marca - cachorro --> urina no poste - homem --> pinturas na caverna - vinculação com o espaço - ocorre simbolicamente - homem deixa rastros - começa a produzir imagens - inscrever - significa --> inscrever dentro - escrever - raiz indo européia - ghrebh - fazer uma gravura - fazer um buraco - sker - ker --> cerne --> carne - cortar - significa - cortar a carne - aqui ainda tem um aspecto tridimensional - surgimento da imprensa de Guttenberg - bidimensional - máquina --> massa - mídia de massa - tenta mostrar "o fio" das coisas - de preferência "o fio" que interessa - história - tanto reprojeta o passado - quanto projeta o futuro - dimensão linear! - bidimensionalidade - traz ao homem um pensamento mágico - tridimensionalidade - direção do tempo * Imagem Técnica - cálculo - significa ponto - calcular - brincar com pontos - imagem técnica - não trabalha mais com linhas - portanto não temos mais história - trabalha com pontos - portanto - vivemos num período pós-histórico - o conceito de história passa a não ter mais sentido! - não há mais previsibilidade! - pensamento - mítico --> circular - histórico --> linear - pós-histórico --> pontual - reconstrução - o resgate do pensamento linear/circular não ocorrerá - o que pode ser resgatado é apenas um simulacro! - escalada da abstração - saímos da quadridimensão - perdemos uma dimensão - pode ser uma dimensão espacial - ou a dimensão temporal - 2D - 1D - nulodimensão - equilíbrio no mundo pluridimensional - não devemos viver numa única dimensão - carreira - imagem - corpo - academia - espírito - emancipação - ... ---------- 04/04/2007 ---------- * Escalada da Abstração 1 - artesão - construia "coisas" fora da natureza - isto é um certo nível de abstração - quem vende o bem não mais o produz - mais-valia - indústria não repassa seu lucro aos seus operários - é este o mecanismo que gera a acumulação capitalista - valor imaterial - capitalismo lucra com o valor imaterial dos produtos - coisas x não-coisas - a escalada da abstração nos conduz - de um mundo de coisas - para um mundo de não-coisas - Deus da Comunicação - Hermes / Mercúrio - é ao mesmo tempo o Deus dos Ladrões! - escala de massa - na massa (dos operários) - o corpo do indivíduo (que opera a máquina) é uma abstração - não existe + um contato primário entre o indivíduo e a máquina - etapa dos aparelhos - o funcionário entra dentro do aparelho - o aparelho programa o funcionário - não adianta + fazer greve - pois o aparelho continua funcionando independentemente da greve - ódio - sociedade industrial - foi movida pelo ódio - trabalho - latim --> triballium - colaborador - labor = trabalho - colaborador --> aquele que co-trabalha! - estratégia civilizatória <<<--- - "o trabalho dignifica o homem" - religiões primitivas * Escalada da Abstração 2 - senhor do tempo / sincronizador da sociedade - Idade Média (espanhol) - planetas - Lunes, Martes, Miercules, Vueles, Viernes - cultos pagãos - cultuavam deuses - Júpiter, Mercúrio - atualmente - é a mídia! - a mídia assumiu funções antes atribuídas às religiões - tempo - circular - das religiões - livro: Mircea Eliade - O Mito do Eterno Retorno - olhar - quem constrói o tempo é o olhar - relação com a imagem - hegemonia do sentido visão - abstração parcial dos demais sentidos - sentido de comunicação à distância - não é o sentido de comunicação de proximidade - sentido de alerta - olhar da magia - vê efeitos imediatos - tem um sentido de retorno - atualiza a imagem do passado no presente - cultua-se o presente - o passado é utilizado como referência ao presente - superstição - resgata experiências do passado para o presente - não existe - evolução - ascensão - linear - imagem se abstrai ainda + - imagem - pictograma - ideograma - letra --> escrita - olhar da consciência histórica - gera a idéia de progresso - vê seqüências - vê causalidades - pra trás - e pra frente - resgata o passado para prever o futuro - existe - evoloção - ascensão - pontual - ganho --> economia! - pixels - mundo concreto - mundo da vida - Lebenswelt - seqüência evolutiva dos "mundos" - mundo da vida - imagem - escrita - tecno-imagem - desvio/perversão do mundo concreto - haptolatria - hapti --> grego "tato" - adoração daquilo que se toca - adoração do tátil - integralidade - o indivíduo só sente o literal - não há mediação - só valoriza-se a percepção imediata - não há intermediários - idolatria / iconolatria - adoração de imagens - ocorre nas religiões idólatras - catolicismo - regressão - sabe-se que a imagem tem > apelo que o texto - para aquele público com o qual a Igreja Católica lidava! - decisão ocorrida à partir do Concílio de Nicéia (A CONFIRMAR COM O JORGE) - igreja ortodoxa russa - o ícone é interpretado como o próprio santo - não como a imagem dele! - neopentecostais - dizem não admitir a adoração de imagens - mas compram canais de TV! - textolatria - adoração de textos - ocorre nas religiões textólatras - judaísmo - espiritismo - protestantismo - luteranismo - Martinho Lutero traduziu a bíblia - para que os alemães compreendessem "A Palavra" - tecnolatria - adoração de tecnologias - idolatra-se o aparelho - relações da escalada da abstração ,--------------------------------------------------------------------------------------------. | | Mundo da Vida | Imagem | Escrita | Tecno-Imagem | |-------------+---------------+------------------+-----------------------+-------------------| | Dimensão | 4D e 3D | 2D | 1D | 0D (nulodimensão) | | Percepção | acontecimento | cena "congelada" | processo | simulacro | | Desvio | haptolatria | idolatria | textolatria | tecnolatria | | Tempo | absoluto | circular | linear | pulverizado | | Sentido | 5 sentidos | olhar | olhar | olhar | | Consciência | corporal | mágica | histórica | pós-histórica | | História | a-história | pré-história | história | pós-história | `--------------------------------------------------------------------------------------------´ * Comentários Norval - Kornhaus Seminare - Seminário do Celeiro - local --> aldeia de Weiler - 780 habitantes - 1984 a 1993 - contato entre - Harry Pross - Vilém Flusser - Vicente Romano - Lev Koppelev - Abraham Moles - Hertha Sturm - especialista em crítica da TV - Harry Pross - meios primários de comunicação - comunicação presencial - concreto - se processa pelos meios produzidos pelo próprio corpo - fala - gesto - afabilidade - cheiro - contato direto - imediato - sem mediações - funcionalistas - ao contrário de Pross - acreditam que o corpo não faz parte da Comunicação - a área de Comunicação atualmente está nas mãos de funcionalistas - portanto, estudos sobre o corpo não fazem parte de estudos sobre Comunicação!!! - corpo - não é mídia - apenas desenvolve uma capacidade de vinculação - sinais vinculadores - ruídos - gestos - sinais - Ubiratan Dambrósio - matemático - etnomatemático - "EUA são um país em vias de subdesenvolvimento" * Watsuro Tetsuji - 3 grandes paradigmas - monçônico - ventos quentes e úmidos - Índia, Indonésia, Japão - deserto - religiões monoteístas - paradigmas dos prados - pastoril - Europa - religião - sistema de vinculação com o "grande outro" ---------- 11/04/2007 ---------- * Flusser - considerou Oswald de Andrade - grande filósofo brasileiro da 1a geração - considerou Vicente Ferreira da Silva - grande filósofo brasileiro da 2a geração * Vicente Ferreira da Silva - grande amigo de Flusser - estabeleceu um diálogo cultural entre - Heiddeger - modernistas brasileiros - buscava nas periferias / bordas - e não num centro enrigecido - centro "hard" - centro "auto-referencial" - que por ser auto-referencial ==> é rígido - Comunicação - ao contrário da Filosofia - não tem um centro de referência - e é justamente oq o funcionalismo tenta fazer - criar um centro rígido auto-referencial * Oswald de Andrade - 2 grandes linhas mestras da filosofia de Oswald de Andrade (segundo Flusser) - 1. jogo / atividade lúdica - 2. revolução / dogma - jogo - leva à presença do estético - artigo de Walter Benjamin - fala sobre - estetização da política x politização da estética - livro: "O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo" - era um diário sobre as "garçonieres" (como motéis da época) - biografia - era casado com a Tarcila - era amante da Pagu - antropofagia - idéia da "metabolização cultural" * Nikolai Berdjaev - biografia - filósofo russo - viveu até a metade do século XX - viveu décadas em Berlim - viveu outras décadas em Paris - foi estudado por Vicente - considerado um dos >s filósofos russos do século XX - foi contra a Revolução Russa - Berdjaev x Flusser - Flusser caracterizou a "evolução" em 3 etapas - 1. indivíduo - 2. massa - 3. divíduo - idéia - nós vivemos uma nova Idade Média (indivíduos) - democracia - foi um conceito político criado - não na Idade Média (indivíduos) - mas sim na Era das Massas - e portanto na Era das Máquinas - democracia x demotismo - estamos retornando para padrões anteriores - típicos da Idade Média - mas com características da Era das Massas - portanto, vivemos um simulacro de democracia! - demotismo - saiu "cracia" - portanto - saiu governo - saiu mídia - ficou imagem! - em outras palavras - tira a representação/mediação de fato democrática - e deixa um simulacro de governo - nulodimensão - jogo - baseado na nulodimensão - cria-se um simulacro de indivíduos - todo o sistema representativo é lúdico - e portanto - uma simulação - uma realidade paralela - realidade - etimologia - vem de "Rei" - aquilo que é "real" - segundo Umberto Eco - é aquilo que "insiste" - insistir x existir - insistir --> existir voltado pra dentro - existir --> insistir voltado pra fora - segundo Kamper - em alemão --> wirklichkeit - vem do verbo "wirken" - origem vem de "obra", "agir", "atuar" - portanto - realidade é algo que faz efeito - idéia - o mundo está perdendo sua corporeidade - e vivendo no mundo da imagem - segundo Norval - realidade paralela - é algo, obviamente, real! - surgimento da realidade paralela - começou com o sonho! - todos os animais de sangue quente sonham - sonhar significa - criar uma realidade dentro de outra realidade! - apocalipse - hipótese de que abrimos mão da realidade "real" - e só vivemos em uma realidade "paralela" - virtual - etimologia - vem de "virtus" - significa - virtude - qualidade do homem - reflexão - acesso ao ideal da "vida boa" - mais fácil através da nulodimensão - do que no mundo árido do "mundo da vida"! * Escalada da Abstração 3 - Kornhaus Seminare (Seminário do Celeiro) - euronomadismo - final da Guerra Fria - intensificação de grandes correntes migratórias no interior da Europa - reflexões nômades (Flusser) - pátria - diz que o homem não tem pátria - oq o homem precisa é de um teto sobre sua cabeça - 2 catástrofes do homem - 1. hominização - 2. civilização - 1a catástrofe do homem --> hominização - ocorreu quando o macaco precisou descer das árvores - modificou seu relacionamento com o entorno - implicou em grandes modificações no seu físico - da árvore para o solo - o macaco não podia + dormir no galho - precisou andar - busca de alimentos - fuga de predadores - surgiu a etapa de nomadismo - estima-se de 5 a 8 milhões de anos atrás - nomadismo - homem precisou deslocar-se - fahren --> (alemão) deslocar - erfahren --> (alemão) conhecer - erfahrung --> (alemão) experiência (no sentido cognitivo) - conhecimento passou a fazer parte deste macaco que se desloca - nessa locomoção adquiriu experiência - 2a catástrofe do homem --> civilização - estima-se que ocorreu a +- 8 mil anos atrás - a vida não se dá + no caminho - mas sim nas aldeias - fim do nomadismo - domestificação de animais - cultivo de vegetais - não era + necessário ser nômade para buscar comida - assentamento - conseqüência da civilização --> homem se assenta - sitzen --> (alemão) sentar - besitzen --> (alemão) possuir - sedere --> (latim) sentar - possedere --> (latim) possuir - sentado o homem começou a possuir - nômade o homem não precisava possuir - pelo contrário, quanto menos coisas carregava, melhor - linha evolutiva - possuir - acumulação - posse - habitação - busca por proteção contra as intempéries - proteção contra o vento - pois o vento traz consigo as intempéries - 3a catástrofe do homem --> ter que ser livres - habitações - estão se tornando inabitáveis! - por estarem perfuradas - pela perfuração entra outro tipo de vento - entra a tempestade - hoje entra a tempestade da mídia - furacão da mídia - surge a necessidade de desabitar-se a casa - pois ela não é mais um ambiente seguro - toda a realidade exterior - entrou no lugar que antes era de aconchego e recato - somos perturbados pela realidade exterior - conseqüentemente - fugimos - viajamos - surfamos - fugimos da proteção da habitação - para buscar liberdade - voltamos a ser nômades - chão - sedentários - nos permite criar e acumular coisas - vento - nômades - vento é não apreensível - inapreensibilidade - característica que confere-lhe (ao vento) uma característica de sagrado - relação com fantasmagoria - expirar - falar - característica nômade - não só no ambiente - ou mesmo dentro das nossas casas "furadas" - mas o vento, principalmente, sopra dentro de nós mesmos!!! - imaterial - impalpável - disperso - hoje - cultura imaterial - software - neonomadismo! - carrega-se a experiência - conhecimento - capital financeiro - coisas x não-coisas - abrimos mão das coisas - em troca de não-coisas - economia - clássica - foi montada em cima de coisas/bens - moderna / atual - hoje o esquema possivelmente tenha mudado! - antes --> conquista de territórios (coisas) - hoje --> conquista do tempo de vida (não-coisas) - lógica do consumo!!! ---------- 18/04/2007 ---------- * As Coisas e as Não Coisas (Flusser) - escalada da abstração - idéia de Flusser - agrega-se ao mundo das coisas, crescentemente, não-coisas - o mundo das coisas perde, crescentemente, seu valor - em favor do valor ascendente das não-coisas - - neolítico - necessidade de possuir coisas - necessidade crescente de controlar as coisas que possui - começa a juntar contas (para fazer contagem)! - são coisas que referem-se a coisas - algumas instâncias se desmaterializaram - ou seja, perderam suas respectivas corporeidades - estas instâncias são "não-coisas" - nulodimensão - não tem - peso - massa - dimensão - conceito de não-coisa - forma/design x designer/grife - objeto x marca - transfere-se entre as pessoas como um significado de "consideração" - exemplo --> presente de marca famosa = "consideração" - 3 reinos de não-coisas - 1. natureza - 2. cultura - 3. lixo - foi eliminado da natureza e da cultura - por ser anti-natureza e anti-cultura - mas justamente por ser - anti-natureza - dialoga com a cultura - anti-cultura - dialoga com a natureza - portanto, constituiu-se em reino à parte * Lixo - quiasma - vem da letra grega Xi - xis - que é uma cruz - a idéia é que na cruz - há um encontro entre - cultura x não-cultura - natureza x não-natureza - e na cruz nasce um detrito - é anti-natureza - porque onera a natureza - é anti-cultura - porque coloca em dúvida tudo aquilo que é cultura - cultura - é tudo aquilo que não é dado pronto pela natureza - exemplo - argila x jarro de argila - ferro x martelo - madeira x vareta para coletar formiga (feita pelo chimpanzé) - 2 categorias de cultura - 1. material - 2. imaterial - artefatos que o homem fabrica (cultura material) - amplificação/expansão das suas próprias habilidades naturais - pedra --> aumento da capacidade de resistência dos seus ossos/dentes - produção de cultura imaterial - idéias - imaginário - humanos x animais - sabe-se que os animais de sangue quente também sonham - mas apenas o homem é capaz de "contar" seus sonhos - e de transferir para as novas gerações o que aprenderam - valor imaterial - é transferido entre gerações - condição - ding --> coisa (alemão) - bedingung --> condição (alemão) - é aquilo que as coisas nos impões - portanto as condições têm a ver com as coisas! - bom uso das coisas - depende destas condições - informação - trata da forma das coisas - todas as coisas contêm informações - informação x invasão do ambiente - as informações que invadem o nosso ambiente - são de um tipo que não "ouve" antes - elas são imateriais/inapreensíveis - podem ser apenas decodificadas * Coisas - produtor de coisas - proletariado - ainda é maioria - produtor de não-coisas - funcionários - virando maioria - usa pouco as mãos - conseqüentemente - não manipula as coisas - não executa ações - não pode-se + falar de praxis - e nem de trabalho - não é + um agente - drama x representação - a vida não é + um drama - mas sim uma representação!!! - não está + interessado nas coisas - não tem + problemas - mas sim programas - morte - deve ser vista como uma última coisa - ou como uma última não-coisa??? - etimologia - hand --> mão (antônimo: ponta do dedo) - behandeln --> manipulação (antônimo: brincar) - handlung --> ação (antônimo: jogo/fruição) - = praxis --> prática - = arbeit --> trabalho - não-coisas x trabalho - como no mundo das não coisas - não se utiliza a mão - então no mundo das não coisas - não há lugar para a ação - nem para a prática - nem para o trabalho - trabalho intelectual - não é trabalho com as mãos - é jogo!!! - mídia semanal - mundo das coisas --> informação - mundo das não-coisas --> sensação (jogo/fruição) - lógica - a mídia opera atualmente no mundo das não-coisas - desta forma, ela não trata do mundo real - mas sim de simulacros (deste mundo real)!!! - por isso não trata + das coisas/informações - mas sim das não-coisas/sensação!!! - imagem sintética (tecnoimagem) x imagem tradicional - imagem sintética - é um programa - é uma tradução - se projeta como um indicativo para o comportamento - é animada - imagem tradicional - programa o nosso olhar - é circular - fantasma x fantasmagoria - mundo das coisas --> fantasmas - mundo das não-coisas --> fantasmagoria - as imagens devoram as pessoas - não num sentido metafísico - mas num sentido fantasmagórico - Deuses - nós os programamos - para eles programarem - os nossos próprios destinos!!! - noosfera (Edgar Morin - Método IV) - mundo das idéias - tem autonomia - na medida que o criamos - e o colocamos dentro de um ambiente comunicacional - ele passa a ter existência - independentemente de seu próprio criador - pois as pessoas tornam-se veículos para ele (o mundo das idéias) * Não-Coisa 2 - o mundo é compreendido pela mão como uma coisa material/palpável - as coisas compreendidas pela mão - são trazidas para serem transformadas - ao transformar elas (as coisas) recebem uma informação da mão - portanto, são colocadas dentro de uma fôrma, e recebem uma forma - assim, constituem-se 2 mundos ao redor do homem - 1. natureza - coisas em seu estado natural - 2. cultura - coisas informais - que já foram compreendidas/tomadas pelo homem - e portanto já receberam uma forma - progresso - crença no progresso hoje precisa ser descartada - fica cada vez + claro que a mão não deixa as coisas informadas em paz, paradas - mas, pelo contrário, a mão continua mexendo nessas coisas - a mão consome a cultura - e transforma esta mesma cultura em lixo - portanto não há apenas 2 mundos que cercam o homem (cultura e natureza) - mas 3 mundos (+ o lixo) - ciências preocupadas com o estudo do lixo - ecologia - arqueologia - etimologia - psicanálise - estas ciências retornam o lixo à natureza - reta x círculo - a história do homem não é uma reta que vai da natureza para a cultura - natureza --> cultura - mas sim um círculo - natureza --> cultura --> lixo --> natureza... - cultura das não-coisas - se fosse possível - transformaria a história da humanidade num progresso linear - e, portanto, em uma memória permanentemente em expansão - mundo das não-coisas - uma das formas de transformar coisas em não-coisas --> miniaturização - tem a ver com a "escalada da abstração" - ou seja, se não podemos reduzir algo ao ponto - reduzimos a algo próximo ao ponto - conseqüências - barateamento - mão não consegue fazer + nada - mão/manipulação/ação se torna supérflua - mão pode se atrofiar - mas não as pontas dos dedos - o que vale é brincar/observar/contemplar/programar os símbolos - para brincar e programar os símbolos - é preciso apertar teclas - para observar e contemplar os símbolos - também é preciso apertar teclas - teclas - mecanismos que permutam símbolos e os tornam acessíveis - para apertar símbolos - as pontas dos dedos se tornam necessárias - homem do futuro - sobreviverá graças às pontas dos seus dedos - o que acontece existencialmente quando se aperta uma tecla - uma tecla é escolhida - há uma decisão por um - símbolo - canal de TV - tomada fotográfica - botão vermelho (nuclear) - pontas dos dedos - são órgãos de escolha/decisão - emancipação - o homem se emancipou do trabalho - para poder decidir - o mundo das não-coisas - mundo das não-coisas - permite a liberdade de escolha/decisão - mas esta liberdade - de pontas dos dedos sem mãos - é desconfortável - é como um revólver - que apontado contra a cabeça - quando tem seu gatilho puxado - pode libertar o indivíduo de toda a pressão que o cerca - mas, na verdade, desencadeia-se o processo que está pré-programado no revólver - conseqüentemente - não houve decisão livre - mas sim decisão dentro do programa dentro do revólver! - a liberdade de decisão do aperto da ponta dos dedos - mostra-se como uma liberdade programada - uma escolha de possibilidades pré-escritas - de fato não é liberdade strictu senso - a sociedade do futuro de não-coisas - será dividida em 2 classes - 1. programadores - produzem os programas - 2. programados - se comportam de acordo com os programas - outras 2 classes - 1. jogadores - 2. marionetes - abstração - o mesmo movimento que o programador faz para programar, com as pontas dos dedos - também faz o programado para "escolher" - os jogadores apertam em seus metaprogramas as metateclas de um metametaprograma - este recurso de metaprogramação demonstra-se infinito! - sociedade sem classes - a sociedade do futuro das não-coisas - será uma sociedade sem classes - ou seja, uma sociedade de programadores programados! - e esta é a liberdade de decisão para a qual a emancipação do trabalho se abre - o totalitarismo programado - no entanto, é um totalitarismo altamente satisfatório - pois os programas se tornam cada vez melhores - por possuirem cada vez > quantidade de escolhas - e por sua vez, aumenta as escolhas humanas - e nunca atinge-se os limites dos programas - as teclas disponíveis são tão numerosas - que as pontas dos dedos nunca poderão tocar todas as teclas - e têm-se a sensação de estar completamente livre para tomar qualquer decisão! - isto é o totalitarismo programado! - que não será perceptível pelas pessoas que participam dele - será invisível pelas pessoas que participam dele - só é visível em seu estágio atual --> embrionário - talvez sejamos a última geração que consiga visualizar esta transição - podemos compreender que por enquanto ainda temos mãos com as quais agir - e por isso podemos reconhecer o totalitarismo programante como uma não-coisa - pois não podemos apanhá-lo/apreendê-lo - mas talvez esta nossa teimosia conceitual - seja um sinal de que estamos superados - pois uma sociedade emancipada do trabalho - que crê ser possível decidir - não seria aquela utopia diante da qual desde sempre a humanidade flutua? - é necessário entender-se o conceito básico de programa! * Comentários Norval - cultura oral x cultura escrita - cultura oral - memória curta - pouco treinamento para "ouvir" textos lidos - Brasil - cultura escrita - linear - > concentração - Alemanha - jogo x guerra - atitude mental - hedônica x agônica - sociedade da informação x sociedade do programa - sociedade da informação --> mundo das coisas - sociedade do programa --> mundo das não-coisas ---------- 09/05/2007 ---------- * Gula - psicólogos behavioristas / comportamentais - trouxeram as 1as reflexões sobre comunicação no Brasil - McLuhan é um exemplo típico da época - fome - satisfação de uma necessidade básica - matar a fome gera mais fome - na forma de gula - outro paradigma --> consumo - devemos questionar as necessidades de consumo/gula!!! - "combate-se a fome não comendo-se" - gula - é destrutiva - escalada da abstração x gula - devoração das dimensões materiais das coisas - processo civilizatório - progressiva humanização da natureza - fome x digestão x gula - fome --> conhecimento - digestão --> tecnologia - tecnologia --> excremento idealista da mente - gula - maneira que o Diabo encontrou de fazer com que a mente gere realidades - e isto ocorre através dos excrementos da mente, ou seja, da tecnologia - progresso - está praticando uma devoração predatória do planeta - produto - é o excremento gerado pela gula - excremento - otimista --> para os místicos significava adubo - adubo --> nova forma de vida - pessimista --> é a sobra do que não foi utilizado durante a digestão - artigo "A Consumidora" - revista "Comentário" - a mulher é programada para consumir e, assim, é consumida - processo urobórico - vem de "urobóros" - serpente que devora o próprio rabo - sociedade de consumo - dá a idéia de que somos "pra frente" - óbvio - geração atual consome muito + do que as gerações que nos precederam - não-óbvio - não somos capazes de consumir o que produzimos - ou seja, produzimos muito + do que consumimos - cultura - é um processo que devora a natureza - lixo - produtos materiais e ideais - coisas e não-coisas - Günther Anders - a humanidade vive um canibalismo pós-civilizatório - assim, a civilização consome as pessoas e, depois, as descarta - tomada de consciência - não ocorre num nível histórico - mas sim arqueológico - horror vacui - medo do vazio - literalmente --> horror do vácul - mulher x homem - mulher é consumidora dos produtos do homem - homem devora e é devorado pela mulher - consumo x produção ---------- 16/05/2007 ---------- * Seminários Flusser - absurdo - sem fundamento - sem raízes - 2 tipos de filósofos - 1. recusam a existência do pior - 2. aceitam a existência do pior - Flusser encaixa-se aqui - abstração - significa subtração - caos - um mundo caótico, embora compreensível, é insuportável - projeção Mercator (Língua e Realidade) - trabalha sobre uma projeção esférica - transforma a esfera numa projeção cilíndria - a região próxima ao equador fica proporcionalmente menor do que a dos pólos - assim, países + ao norte (ou ao sul, se existissem) ficam aparentemente muito maiores do que realmente são - quadratura do círculo - é a tentativa de projetar o círculo num quadrado - não existe (pelo menos até hoje) uma projeção fiel da esfera no plano! ---------- 23/05/2007 ---------- * As Estratégias da Recombinação e as Estratégias da Arte Digital * Filosofia da Caixa Preta - "imagem tem o propósito de representar o mundo" - porque a imagem representa o lúdico - a imagem não dá espaço pra realidade * Comentários Norval - surgimento das religiões - catolicismo - surge do judaísmo - que por sua vez, é uma religião textólatra - mas para haver nexo/vínculo entre o sistema (religioso) e o usuário (seguidor) - é necessário haver um mecanismo que vincule - o texto (do judaísmo) era ineficiente neste sentido - a imagem (do catolicismo) era + eficiente - interfaces amigáveis - são interfaces icônicas - estamos numa época de transferência dos processos de vinculação - mídia primária - toda mente é corporal - portanto, é mídia primária - 2 pensamentos - 1. idealista - idealiza um fenômeno isolado do seu contexto - 2. não-idealista - histórico-antopológico-cultural - é o pensamento do Flusser, do Kamper, do Morin - trabalham com os fluxos e nexos - 2 ciências - 1. imanentes - analisam as coisas em si mesma - fora do contexto gerador e do contexto/impacto que irá gerar - semiótica imanente - é descritiva - analisa só a coisa, não todo o contexto que envolve a coisa - vínculo com as imagens técnicas - dá-se como nossos ancestrais vinculavam-se com as fogueiras - ou seja, pela imagem - 2. não-imanentes - semiótica não-imanente - voltada para processos amplos - de vinculação - sociais, históricos, antopológicos, culturais - não só feita de conceitos! - não meramente classificatórias! - não meramente formalizadores - como a lingüística - como o estruturalismo - como a própria semiótica em geral - realidade - é aquilo que existe (Flusser) - é aquilo que está voltado para fora - portanto, está voltada para nós - pois para olhar, nos colocamos fora da coisa - exemplo --> para olhar a mão, nos colocamos fora da mão - é aquilo que "ex ist" - é aquilo que insiste (Umberto Eco) - é aquilo que está voltada para dentro - portanto, se reafirma dentro de si mesmo * Alteridade e Estranheza nos Textos de Flusser sobre o Brasil - livro: Fenomenologia do Brasileiro em busca de um Novo Homem (Flusser) - escrito entre 1970 e 1971 - escrito em alemão e português simultaneamente - publicado em - 1994 --> Alemanha - 1998 --> Brasil - direcionado - tanto aos nativos (brasileiros) quanto aos europeus - nativo x imigrante - nativo - aquele que vive no contexto - está sob influência de uma certa "formatação cultural" - imigrante - pode possuir um pensamento de vanguarda - consegue enxergar o ambiente sob outra perspectiva - > distanciamento - 7 aspectos sobre o Brasil traçados por Flusser - 1. imigração - 2. natureza - 3. defasagem - influências européias - 4. alienação - 5. miséria - 6. cultura - 7. língua - características da escrita de Flusser na escrita deste livro - tentativa de enxergar a realidade brasileira fora de uma perspectiva eurocêntrica - escritores orientalistas ocidentais - o pensamento histórico-ocidental-europeu-linear não é capaz de explicar processos culturais - a história foi construída para os países do norte - o Brasil (e os países do sul) está fora da história! - os grandes historicistas brasileiros - têm um referencial epistemológico europeu - Marx - Weber - etc. - Flusser - tem um referencial epistemológico próprio - Brasil está fora da história - para Flusser - isto não é um problema - mas uma potencialidade - pensamento histórico - não é capaz de explicar o processo de interação/controle entre máquinas e a precarização da vida humana/terrestre - campos de concentração / nazismo - são o efeito máximo deste processo histórico - brincar x jogar - jogar --> envolve a questão de ganhar ou perder - brincar --> não preocupa-se com a vitória ou a derrota - utopia - é um lugar fora do tempo, e ligado pelo tempo - está fora da lógica européia - golpe militar - idéia de pátria - mas para Flusser, a idéia de pátria é muito fechada - tenta sacralizar as regras de convivência - é o homem que constrói tudo isso - há uma ilusão de que o mundo é assim - outro paradigma - não devemos alimentar o amor à pátria - isto, entretanto, não anula nossa história ---------- 30/05/2007 ---------- * A Escrita (Flusser) - Flusser dedica este livro para "Abraham [Mols]" - oq é o específico do escrever? - no que o escrever se diferencia de gestos passados e futuros comparáveis? - escrita - corte - discernir - crítica - cerne - caroço - semente - núcleo (alemão "kern") - inscrever - alemão "Inschrift" - chegar ao cerne - tridimensionalidade --> profundidade - sobrescrever - alemão "Aufschrift" - sobreposição de escritas - bidimensionalidade --> superficialidade - "sifr" - palavra árabe - significa - zero - vazio - decifrar - toda escrita precisa ser decifrada - "catar conteúdos em recipientes vazios" - leitores de textos são catadores de conteúdos, que servem para - comentar - comentar = mentar com = pensar concomitantemente - obedecer - obedecer = seguir - a fidelidade à letra mostram a fronteira externa do ler obediente, ou seja, a textolatria, como um perigo que espreita a toda escrita - aqueles que temem o totalitarismo das imagens precisariam considerar também este totalitarismo assassino da escrita - criticar - grego "krihein" - latim "cernere" - indoeuropeu "sker-" - alemão [brechen] --> cometer um crime - idéia de criminalidade - o leitor se torna detetive ou assassino e pode ser, como em alguns romances criminais, o detetive que é o assassino - leitor crítico --> sai no encalço do assassino - 2 motivações para a escrita - 1. ordenar as próprias idéias - processo mecânico - deve ser visto como ordenação da escrita - 2. motivo político - convencer o outro - mostrar o texto para outra pessoa é mentir ---------- 06/06/2007 ---------- * Comentários Norval - "nenhum de nós é poste" - não devemos analisar a comunicação como poste!!! - ou seja, como algo estático, fotografado num determinado momento - 2 tipos de descrição - 1. imanente - contemplativa - descritiva - 2. processual - historicidade - tempo - transformações - tautologia - pensamento horizontal - procura aproximar muitas idéias distintas - risco de ser superficial - autismo - processo de digestão - é um processo antropofágico - barroco - início da revolução da mídia / imagem - ou seja, há "ecos do passado" ---------- 20/06/2007 ---------- * Ambiente - ambiente é um conceito chave - em comunicação, mas não só - ambiente x "teoria funcionalista da comunicação" - o conceito de ambiente é a chave para desmontar o funcionalismo - teoria funcionalista da comunicação - surgiu antes do telefone - +- na época do telégrafo - existe uma linearidade nestes conceitos - I Guerra Mundial - financiou o aperfeiçoamento do telégrafo - II Guerra Mundial - financiou o aperfeiçoamento do rádio - grande desenvolvimento da linguística e da semiótica - arte de elaborar e decifrar códigos secretos foi solicitada aos lingüistas - linearidade - Jorge x Norval!!! - conexão entre - teoria funcionalista <==> linearidade - ambiente <==> não-linearidade - linearização dos conceitos de comunicação - em alguns casos pode até aplicar-se - endereçar uma mensagem (carta, mala direta, email) a alguém - mas este processo passa por um ambiente - e este ambiente pode ou não transmitir a mensagem - e o receptor pode ou não - receber a mensagem - ler integral ou parcialmente a mensagem - ler e não entender a mensagem - comunicação: determinística x probabilística - funcionalismo --> determinística - ambiente --> probabilística - livro A Escrita (Flusser) - leitor devora oq o escritor escreve - e o escritor, por sua vez, já deverou oq outros escritores já escreveram - sifr --> árabe vazio - sifra --> idéia de um vazio que nós preenchemos com nossa vivência - conceito de vazio --> é um conceito ambiental - os símbolos (como o número 5, por exemplo) podem ser compreendidos como ambientes - estes ambientes são preenchidos com nossa vivência - para Flusser o conceito de vazio só poderia ter surgido na cultura árabe - que é uma cultura semítica e que vive no deserto - Flusser vivenciou a cultura semítica e também a indo-européia (Tchekoslováquia, Brasil, Alemanha, Inglaterra) - ambientes - existem diversos ambientes relativos à comunicação - rede - computacional - mas fazer cultura significa fazer um ambiente - e fazer um ambiente significa envolver todas as coisas que estão dentro dele - ambire - indoeuropeu --> ambi - grego --> anfi - anfiteatro - anfíbio - latim --> ambos - de um lado e de outro - dentro e fora - ambiente - é aquilo que nos faz voltar para fora de nós e para o nosso entorno - Jakob von Uexküll - Thure van Uexküll - filho da Jakob - um dos pioneiros da medicina psicossomática e da medicina semiótica - Umwelt - um --> alemão em volta / entorno - welt --> alemão mundo - umwelt --> alemão mundo em volta * Ambiente (Tetsuro Watsuji) - filósofo japonês - escreveu um livro entre 1929 e 1933 - que foi publicado em 1935 - título --> Fudô - Antropologia da Paisagem: climas, culturas e religiões - edição espanhola - Editora Sigueme - Salamandra - Fudo --> japonês vento + terra - idéia do livro - existem 3 grandes padrões de cultura à partir de 3 grandes padrões ambientais - estamos situados diante de nós mesmos como quem está desde sempre fora de si mesmo - este estar fora de si mesmo (alusão a Heiddeger) - a reflexão não é uma das formas + eficientes de descobrir a si mesmo - estar fora de si mesmo --> vem da palavra "existir" --> que significa "estar fora de si mesmo" --> ex ist - o erro + comum ao se falar de clima e paisagem consiste em restringir-se à perspectiva dualista - paisagem é um gênero de representação do mundo - paisagem é sempre uma coisa muito amigável - por isso alguns sistemas computacionais são muito dóceis, como paisagens - paralelo entre clima e paisagem - paisagem não tem nada de natural - assim como o ambiente humano não tem nada de natural - quando entramos dentro dele entramos com o pacote completo - ou seja, com nossa história, fúria, capacidade destrutiva, capacidade contaminadora do ambiente - portanto, não tem nada de natural - 3 tipos de clima - 1. Monçônico - ventos monçônicos são quentes e úmidos - é um vento estacional, especialmente de verão, que vai do oceano temperado ao continente - caracteriza o clima pela fusão de calor e umidade - este clima gera um tipo de cultura - o mundo do homem se converte em um lugar frondoso, repleto de vida animal e vegetal - a natureza não é morte, é vida - assim, captamos em geral a estrutura do homem desta região como aceitação e submissão - na umidade se nos revela esta estrutura - afinal, úmido não é hostil, mas ao contrário, é envolvente!!! - não há muita necessidade de luta para a sobrevivência - Japão, China, Índia (lugar por excelência da cultura monçônica) - Hindús - são extraordinários no que se refere à receptividade - ausência notável do sentido histórico, por um lado - talante de resignação é acompanhado pelo de docilidade - violência que dá vida, por um lado, ataca o homem com grande intensidade, por outro - tempestades monçônicas costumam ser fatais - homem tem que renunciar à força monçônica - homem hindú, apesar da origem comum, difere do homem grego - hindú x indo-europeu - escrita mesopotâmica surgiu +- na mesma época que surgiu a escrita no vale do rio [Indo] - mas como a escrita surgida no vale do rio [Indo] ainda não foi decifrada - não é possível saber-se da relação entre elas - guerreiro x filósofo x sacerdote - o mesmo homem que gerreia, contempla a natureza - falta no Hindú o espírito de luta e da força de vontade - pois neste contexto a "vontade" é a "vontade da natureza" - arte hindú - grande atenção aos permenores - conceito de oposição é ausente - as imagens são detalhadas - oposição, quando existe - é meramente contemplativa - não é hostil - não existe o conceito de dualidade entre eu e o mundo - afinal, eu e o mundo são uma só coisa - 2. Desértico - o deserto pode ser tratado como um modo de ser do homem - neste contexto o homem é um eu individual - não é o homem que pertence ao deserto, mas ele que viaja pelo deserto é quem melhor entra em contato com o deserto concreto - eis que surge o conceito de viagem, ao atravessar o deserto - o homem desértico não tem uma relação com o mundo como tem o homem que vive no meio de montanhas verdes - assim, a relação do homem desértico com o mundo é + hostil - o homem luta contra as ameaças da natureza e tem que lutar na busca das fontes de água e recursos naturais - para viver, portanto, o homem tem que enfrentar-se com outros homens - a relação deste homem com o mundo físico é de oposição e enfrentamento! - o homem tem profunda relação com a morte, sempre iminente - e ao contemplar a morte, este homem dá profundo valor à vida - o homem não espera da natureza - ele luta para encontrá-la - é um modo de vida belicoso - que foi sempre uma característica deste homem - desde as épocas antigas à Era do Islã - relação: deserto x "natureza bélica das ciências da comunicação"!!! - uma pessoa não pode viver sozinha individualmente - o conjunto da tribo é aquilo que faz possível a vida do indivíduo - obediência à vontade da comunidade são fundamentais - pois a derrota da tribo é a morte do indivíduo!!! - religião - a proeza do homem do deserto chegou ao seu ápice quando ele deu à humanidade o "deus pessoal" - é um Deus personalizado - ao contrário dos deuses hindús, que não são personalizados - em que o deus está em nós, e vice-versa - panteísmo - mas este deus pessoal é um deus da tribo - e isto permite um desenvolvimento da tribo - Javé era um destes deuses - e estes deuses viviam como os homens (pois eram personalizados) - recebiam as presas da caça e o butim da guerra - comidas sacrificiais eram um momento de construção da tribo - relação de consangüinidade entre o deus desértico e o homem desértico - afinal, este deus lutou nas guerras do passado - busca por prosperidade e segurança pessoais - ao contrário da religião monçônica - onde havia abundância de recursos e de deuses - as religiões desérticas / semíticas - surgiram em ambientes escassos de recursos e monoteístas! - 3. Pastoril / Prados - Mar Mediterrâneo - desenvolvimento da cultura pastoril - que é um mar não-monçônico - é um mar onde surgiu o comércio - e antigamente era basicamente uma rota de comunicações - influência climática tem um forte peso na existência do homem - Europa - não é nem tão úmido, nem tão seco - ou seja, é umidade e sequidade ao mesmo tempo - verão europeu é seco - ao contrário do verão monçônico, que é úmido - natureza européia é dócil - tudo é muito moderado - tempestade européia = chuva leve asiática - o Deus pessoal do deserto, adaptou-se como a Virgem Maria para o Deus pastoril - regularidade do clima europeu - ou seja, estações bem definidas - determinaram o signo da Europa - Roma não transmitiu apenas a racionalidade da Grécia - mas também a racionalização da vida através do Direito - racionalidade grega governa o signo da Europa - Grécia - luminosidade grega criou um jeito particular de ver as coisas - e a cultura pastoril alastra-se para regiões menos luminosas - existe uma primasia do olhar - que cria uma primasia das relações lógicas - esculturas gregas x teorias matemáticas da Escola de Pitágoras - Bruma - norte europeu - é melancólica - dá um certo romantismo - dá a face místia ao cristianismo - tendência à abstração * Comentários Norval - 2 tipos de jogos - 1. competitivos - 2. cooperativos - Flusser - não era um apologeta da comunicação - não era um iconoclata - mas sim um crítico da comunicação - 3 tipos de leitura possíveis sobre um texto - 1. aplicada - 2. comparada - espelhamento - ler um autor através de outro - deve ser evitada na monografia!!! - 3. profunda - tipicamente filosófica - pois os filósofos não ficam comparando os filósofos - mas, ao contrário, aprofundam-se no sistema de pensamento do autor ---------- 27/06/2007 ---------- * Kommunikologie (Flusser) - diálogo x discurso - diálogo - pequenos públicos - resistência civil - cinemas alternativos - discurso - grandes públicos - voltado para massa - e para lucro - citação de Flusser - a comunicação humana é um processo artificial - ela se baseia em códigos... - as pessoas se entendem entre si de uma maneira não "natural" - ao falar não são sons naturais que saem, como no caso de um canto de pássaro - e o escrever não é um gesto natural, como na dança das abelhas - filogênese x ontogênese - ontogeneticamente - a fala é adquirida e educada por meio da sociedade - portanto, a nossa comunicação é toda artificial - a comunicação humana é um artifício cuja intenção é nos fazer esquecer a brutal falta de sentido de uma vida condenada à morte - por natureza o homem é um animal solitário, pois sabe que irá morrer e que na hora da morte não vale nenhuma comunidade - cada um tem que morrer por si só - e, potencialmente, todas as horas são a hora da morte - cantos de pássaros, sotaques, gestos - são todos artificiais! - ou seja, são todos criados pelas respectivas comunidades em que o indivíduo vive - a sociedade cria um conjunto de leis simbólicas (semióticas, portanto) que desvia a nossa atenção da morte - não pq nós somos um animal social - mas pq nós somos um animal solitário - e incapaz de viver em solidão - o homem não é triste pq morre - mas sim pq ele vive - a teoria da comunicação se ocupa com o tecido artificial do fazer esquecer a solidão - e é por isso que ela (a teoria da comunicação) é uma "humanity" (ciência humana) - a intenção da não natureza é se contrapor à entropia - pois toda natureza tende à entropia! - para produzir informações os homens trocam diferentes informações com os outros - na esperança, à partir desta troca, de sintetizar uma nova informação - esta é a forma dialógica de informação - troca informações e sintetiza uma nova informação à partir desta troca - para conservar informação os homens distribuem as informações existentes na esperança de que estas informações distribuídas tenham efeito contra a natureza entrópica - no momento em que distribui-se informação, ela espalha-se e aquele que a espalhou não morre - esta é a forma dialógica - esta resposta esquemática torna visível automaticamente 2 coisas - 1. nenhuma das 2 formas de comunicação pode existir sem a outra - 2. a diferenciação entre as 2 formas é uma questão da distância entre o observador e o observado - para que surja um diálogo é preciso que as informações estejam disponíveis - informações que foi reunida pelas pessoas, através da recepção de algum discurso - para que surja o discurso o distribuidor precisa dispor da informação que surgiu à partir de um diálogo anterior!!! - por isso a questão da precedência do diálogo antes do discurso não faz sentido - cada diálogo pode fazer parte de um discurso - e vice-versa - exemplo - um livro científico visto separadamente é visto como um discurso - mas em conjunto com outros livros, pode ser visto como parte de um diálogo científico - muitas pessoas se queixam da dificuldade da comunicação - ou da falta dela - na verdade, nunca houve na história tanta comunicação tão extensiva e intensivamente, como hoje - portanto, nunca o ser humano se comunicou tanto, extensiva e intensivamente - mas oq as pessoas percebem como falta de comunicação - é a dificuldade de produzir autênticos diálogos - ou seja, de trocar informações com outros - esta dificuldade deve-se ao funcionamento perfeito da comunicação - e à onipresença de discursos estupendos - que ao mesmo tempo tornam o diálogo impossível e desnecessário! - de fato pode-se afirmar que a comunicação tem a intensão de superar a solidão e conferir à vida sentido (ou signific_o - e isto só pode ser alcançado quando discurso e comunicação estiverem em equilíbrio - quando o discurso impera - as pessoas se sentem solitárias - e quando, como antes, o diálogo da aldeia imperava sobre o discurso - as pessoas se sentiam solitárias, porque estavam separadas do mundo da história - em resumo - nem diálogo, nem discurso, resolvem o problema da solidão - e que o equilíbrio entre eles nos aproximaria o máximo possível do esquecimento da solidão - mas uma vez que vivemos na era do discurso, vamos classificá-los * 6 Tipos de Discurso - 1. de teatro - relação de parte ou pertencimento - atrás é uma parede, geralmente côncava - na frente tem o emissor - mais à frente tem vários receptores - parece um facho (de luz) - é tipicamente iluminista - a intenção é de esclarecer, tornar claro - traição --> é punida com a nota - exemplo - teatro - sala de concerto - sala de aula - sala de visitas burguesa (principalmente) - 2. em pirâmide - o 1o emissor é a memória - no momento em que ele (o 1o emissor) passa a informação, ele transfere a memória - e todas as pessoas que estão abaixo, distribuem e preservam a memória - traição --> é punida com a pena de morte - exemplo - exércitos - igrejas - partidos políticos (fascistas e comunistas - algumas administrações públicas e privdas - hierarquias --> chefe, médio escalão, baixo escalão - 3. em árvore - não existe uma filiação única na passagem da informação entre o emissor e o receptor - os receptores transformam-se em emissores únicos - ou seja, não há obediência a um chefe específico - mas recebe-se informações de vários "chefes" - e transfere-se informações a diversos "subordinados" - o discurso não é só vertical - mas também horizontal/diagonal - exemplo típico --> ciência - há maior ramificação - a informação que vem de uma fonte se espalha + rapidamente - a informação explode em blocos que se separam uns dos outros - cada bloco é cifrado em um determinado bloco - e os caminhos de fuga dos blocos se cruzam em uma distribuição centrifugal da informação - ou seja, tendem a ir para todos os lados - redundância --> os receptores podem receber informações de diversos emissores - mas havendo um "emissor alfa", todos os receptores-emissores funcionam como estações repetidoras - é uma forma de discurso radicalmente nova - exemplo - discurso da ciência e da técnica - organizações políticas - organizações industriais - tendências artísticas - estações de rádio - vírus - 4. em anfiteatro - é uma abertura cósmica do discurso em teatro - uma vez que a parede côncava é afastada - e existe uma diluição da autoridade - protótipo --> circo / Coliseu romano - espetáculo - "teatro de arena" - tentativa de tirar a parede que ecoa - era considerado um teatro alternativo - exemplo - meios de massa - imprensa - TV - cartazes - 5. diálogo em círculo - é um diálogo que se monta como um discurso - quando se institucionaliza - busca encontrar um denominador comum - que está armazenado na memória de todos os participantes - e busca encontrar um novo status para a informação inicial - da mesma maneira pode-se falar da razão do estado - democracia liberal - isto explica pq os diálogos são tão difíceis - e pq as democracias liberais funcionam tão mal - elas não se baseiam em consensos, mas em conflitos - exatamente esta desvantagem aparente é que legitima este formato de comunicação - ou seja, os conflitos tem que passar de uma pessoa para a outra - ao mesmo tempo a forma circular tem uma desvantagem - pq ela estabelece o circuito fechado - e este formato impede a comunicação - exemplo - mesa redonda - comitês - laboratórios - congressos - parlamentares - 6. diálogo em rede - é uma forma de discurso - esta forma de comunicação difusa fornece a rede básica que apóia todas as formas de comunicação - em última instância, absorve todas as informações processadas pela humanidade - exemplo - bate papo - boato - fofoca - espalhamento de notícias - correio - telefone - perigos de 1, 2 e 3 - especialização hermética da distribuição que provoca uma falência na intenção da comunicação - para tentar resolver este problema, só quem está dentro da estrutura é que conhece a informação - e portanto, só quem está dentro da estrutura domina o código e consegue decifrá-lo - assim, esta forma hermética não contribui na disseminação da comunicação - para isso, são utilizadas as outras 3 formas * Flusser (Kommunikologie) x Tetsuro Watsuji (Fudo) - deserto x monção - deserto --> berço do modelo discursivo - nascimento da - álgebra - escrita - não é à toa que os estudos em comunicação estão tão centralizados em linguagem!!! - monção --> berço do modelo dialógico ----------//----------